Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 16/11/2020

Escravos de um sistema desigual

Com a abolição da escravidão no Brasil, uma onda de migração se solidificou, em que a aristocracia rural prometia estadia e emprego para os imigrantes. No entanto,  com a falta de direitos e a constante exploração, o Brasil desenvolveu uma de suas maiores mazelas: a desigualdade social. Nesse viés, a negligência governamental perpetua a disparidade social e a fome, gerando assim outros problemas estruturais.

Em primeiro lugar,  a negligência do Estado, faz com que substancial parcela da sociedade esteja em estado de vulnerabilidade. Sendo assim, há grande disparidade no quesito alimentação em que  o fenômeno  “Food Wast” (desperdício alimentar),  em diversas escolas, chegue a ser de 15 milhões de toneladas por ano versus a população em estado de insegurança alimentar com 52 milhões de pessoas, em todo o Brasil- segundo dados do PNAD ( Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). Logo, é evidente que políticas públicas adequadas, poderiam minimizar tal cenário.

Em segundo lugar, tal problemática infere variadas consequências a longo prazo. Sob essa ótica, a fome ocasiona diversas doenças como anemia- ocasionada por desnutrição- e “Kwashiokor”- insuficiência proteica. Além disso, o trabalho infantil torna-se necessário, uma vez que os responsáveis não conseguem alimentar toda a família e nem todas as escolas oferecem merendas, das quais diversas crianças são dependentes. Assim, esses não se dedicam ou não frequentam a escola, comprometendo o seu futuro. No entanto, aqueles que não conseguem emprego encontram na criminalidade uma maneira fácil e rápida de conseguir renda. Desse modo, a população fica ainda mais escravizada em um processo de marginalização social.

Torna-se evidente, portanto, que diversas medidas devem ser tomadas para que a fome e a desigualdade social deixem de ser uma realidade no Brasil. De fato, o Estado deve ser incentivados por ONGs sociais, a elaborar políticas públicas efetivas no combate a fome, como a distribuição de cestas básicas, mensalmente, em todas as cidades que possuam alto índice de déficit alimentar, previamete cadastradas em um sistema de triagem federal. Destarte, tornam-se necessárias várias ações a fim de garantir a igualdade e a dignidade a essa população, como assistência médica, sanitária e educacional, atráves de incentivos financeiros nessas cidades mais carentes. Além disso, é mister que o Ministério da Saúde juntamente com as escolas, apliquem medidas ao combate do desperdício alimentar, sendo executadas em todas as escolas brasileiras. Dessa maneira, essas pessoas tão vulneráveis, deixarão de ser escravas de um sistema onde o direito não é para todos.