Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 16/11/2020
O longa-metragem “Cidade de Deus” aborda uma comunidade pobre do Rio de Janeiro nos anos 1960, na qual o protagonista Buscapé conta a história do crime organizado, evidenciando a violência e o descaso das autoridades nesse ambiente. Semelhante a isso, no contexto real brasileiro, é evidente a permanência de um cenário que apresenta diversas problemáticas sociais. Desse modo, percebe-se que a fome e a desigualdade impõem-se como um fardo histórico cultural, resultando em consequências nocivas e, muitas vezes, irreparáveis.
A princípio, é importante destacar que os governantes do Brasil, historicamente, não apresentaram substancial preocupação com acolhimento social. Sob esse viés, no início do século XX, ocorreu a a chamada “reforma urbana”, em que substancial parcela da sociedade fora retirada do centro do Rio de Janeiro à força em direção a periferia, com intensa opressão do Governo e sem indenização. Em paralelo, atualmente, apesar da Constituição Federal garantir direito à segurança e à propriedade, na prática, é evidente a marginalização e a exclusão social, pautadas em uma política fundamentada na miséria alheia e em uma coerência econômica baseada na fome dos outros. Dessa forma, percebe-se que o país só é viável se metade da sua população não for.
Ademais, enquanto a falta de senso crítico se mantiver, haverá inúmeros danos à sociedade e o Brasil continuará protagonizando a trama de “Cidade de Deus”. Nesse sentido, o geógrafo Milton Santos, no texto “Cidadanias Mutiladas”, evidencia que a democracia só é efetiva na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos, logo, com tal negligência as pessoas não exigem reformulações nos setores públicos, permitindo a omissão do Estado e o descompromisso com a dignidade humana. Sendo assim, ocorrerá a manutenção de abusos de poder e direitos continuarão sendo distribuídos como privilégios, subtraindo a necessidade de prestação de contas ao povo.
É fundamental, portanto, combater tais práticas. Cabe às ONGs que atuam na causa da desigualdade social, em parceria com a iniciativa privada, acolherem as pessoas em situações precárias, por meio de construções de moradias e entrega de cestas básicas, com objetivo de reduzir essa problemática. Além disso, influenciadores digitais em parceria com instituições de ensino, devem informar a população da histórica despreocupação do Governo e as nocivas consequências desse comportamento, a fim de auxiliarem na formação do senso crítico das pessoas, utilizando vídeos compartilhados nas redes sociais. Somente assim, haverá um futuro otimista desvinculado do fardo cultural.