Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 16/11/2020
O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado costuma realizar trabalhos em que denuncia as mazelas sociais ao redor do mundo. Nesse contexto, a fome é uma das principais problemáticas retratadas, tanto que, segundo dados da FAO, afeta quase uma em cada sete pessoas no mundo. Para compreender essa situação, é necessário levar em consideração dois aspectos principais: a questão histórica das colonizações e a manutenção de privilégios para uma minoria.
Num primeiro âmbito, é válido destacar como se deu o processo de colonização da América Latina: tinha característica de exploração. Isso quer dizer que os europeus se apropriavam das riquezas e não se davam ao trabalho de pensar em um futuro para as colônias, além da uso de mão de obra escravizada que, após a abolição, não foi reinserida na sociedade de modo digno. No entanto a influência da História não se dá apenas nessa porção de terras, haja vista que o próprio processo de colonização africana também foi nefasto, já que, fora os outros problemas, a demarcação das fronteiras não respeitou os grupos locais que, por vezes, são até inimigos. Nesse ínterim, todo esse conjunto de fatores ajuda a explicar o porquê de ambos os lugares citados serem muito impactados pela fome.
Num segundo aspecto, a realidade da deficiência alimentar é derivada também da manutenção de privilégios de poucos. Isso porque é sabido que existe alimento para toda a humanidade, sobretudo após as inovações tecnológicas da Revolução Verde, ocorrida no século passado. Todavia, a distribuição é deficitária por causa da extrema desigualdade social que há no mundo. Poder-se ia evocar o discurso liberal de Adam Smith, que sustenta a pertinência da falta de igualdade entre as pessoas, mas a discussão não está na diferença de ganhos salariais “per se”, e sim na dimensão dela.
Em epítome, a trajetória histórica e a preservação de injustiças explicam essa realidade trágica e cruel. Destarte, com o fito de mudar esse quadro, o Banco Mundial, instituição que tem como uma das principais enfrentar a pobreza no mundo, faça empréstimos para cada vez mais projetos que tenham essa finalidade. Para tanto, é fulcral que a população pressione os seus representantes para que os projetos em questão sejam bem elaborados e feitos de maneira correta. Para além disso, a ONU deve realizar um movimento global a fim de que os diversos governos forneçam incentivos fiscais para empresas que tenham políticas de combate â fome, como por exemplo, a doação de alimentos para os necessitados. Por fim, a iniciativa individual, com a feitura de “sopões” para as pessoas mais carentes. Com isso, a realidade poderá ser transformada e, finalmente, essa triste imagem denunciada pelas lentes de Sebastião Salgado poderá ser metamorfoseada.