Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 16/11/2020

O filme japonês “Túmulo dos Vagalumes” traz a história de dois irmãos que perdem seus pais durante o período da Segunda Guerra Mundial. Nesse enredo, o aspecto mais evidenciado é como a fome afeta essas crianças, no qual a personagem principal morre de desnutrição. Fora da ficção, a falta de alimentos para a população não ficou restrita, somente, aos períodos de conflitos, sendo um bom indicador de desigualdade social presente no século XXI. Portanto, é preciso que esse tema seja discutido, visto que a má distribuição de alimentos é consequência do sistema capitalista atual, que também implica no aumento das disparidades sociais e econômicas entre a população, por causa da diminuição do Estado.

Primeiramente, percebe-se que a atual modelo econômico teve como base o Imperialismo. Essa política econômica, do início do século XX, tinha o intuito de buscar novos mercados consumidores, adquirindo colônias. Nesse sentido, o aumento do consumo de produtos europeus e estadunidenses fez com que esses países se tornassem cada vez mais ricos. Em contrapartida, os países que serviram de “colônias” permaneceram, até os dias de hoje, adquirindo produtos dessas potências, sem algum planejamento concreto de desenvolvimento social, consequentemente, possuem os índices de desenvolvimento humano mais baixos e se encontram inseridos no mapa da fome.

Ademais, a atual tendência de diminuição da máquina estatal prejudica as pessoas menos favorecidas financeiramente. Isso acontece porque é dever do Estado possibilitar que os cidadãos tenham direito à vida, isso inclui moradia, alimentação, saúde e educação. Entretanto, devido ao modelo econômico neoliberal, está acontecendo um processo de privatizações dos bens públicos, causando a comercialização dos direitos humanos dos cidadãos. Desse modo, por causa dos altos preços dos serviços essenciais, apenas quem possui boas condições financeiras consegue acessar tais direitos; isso também causa a concentração de renda nas mãos dos detentores dos meios de produção, que são os donos dos “serviços”.

Em síntese, é preciso que os países atentem-se à situação da fome e das desigualdades sociais presentes na sociedade do século XXI, tal realidade não deve ser normalizada. Por isso, no Brasil, é necessário que sejam tomadas medidas. Nesse aspecto, uma medida a ser tomada seria a criação de um fundo de investimento de desenvolvimento humano para a formação de cidadãos mais instruídos, através da ação conjunta Ministério da Educação e Ministério da Economia, fornecendo cursos profissionalizantes de agricultura para a criação de hortas municipais, os produtos que seriam obtidos estariam disponíveis para aqueles que plantaram, e o lucro obtido com a vende desses produtos seria reaplicado em serviços públicos de boa qualidade.