Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 18/11/2020
Na obra “Ensaio sobre a Cegueira”, do autor português José Saramago, é narrada a história de uma epidemia de cegueira branca, a qual se espalha por uma cidade e causa um grande colapso na vida das pessoas, fato que compromete as estruturas sociais. No contexto atual, não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à fome e à desigualdade social, visto que a sociedade brasileira parece não enxergar os impactos nocivos dessa questão. Assim, seja por razões históricas, seja pela seja negligência do Poder Público, esse tema é uma grave questão social que precisa ser resolvida.
Em primeiro lugar, deve-se pontuar a questão histórica como causa da problemática. Nessa perspectiva, desde 1888, quando foi sancionada a Lei Áurea — documentou que aboliu a escravatura no Brasil —, houve tentativas de reintegrar os ex-escravos, os quais sofreram com esta instituição violenta e desumana por mais de 300 anos: a escravidão. Contudo, nota-se, nos dias de hoje, que esses esforços não surtiram efeito, uma vez que certos problemas da atualidade — como a fome, pobreza e a enorme desigualdade social — são consequências diretas de um passado conturbado, justificando, assim, a recorrência dessas questões na contemporaneidade.
Outrossim, o descaso governamental também é responsável por esse problema que persiste no Brasil. Nesse sentido, a “Constituição Cidadã”, assim chamada a Constituição Federal de 1988, estabelece, em seu artigo 3°, a prioridade da redução das desigualdades sociais — bem como a garantia do bem-estar social. No entanto, apesar da garantia constitucional, uma pesquisa realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em 2019, demonstrou que o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo, ficando atrás apenas de países do continente africano. Dessa forma, percebe-se que o Poder Público falha no que diz respeito à isonomia, isto é, o abandono por parte do Estado age como causa desse entrave e, infelizmente, perpetua essa triste conjuntura.
Portanto, é urgente a adoção de medidas para superar a fome e a desigualdade social no século XXI. Posto isso, o Governo Federal — como ente responsável pela gestão pública do país — deve destinar subsídios para as famílias mais vulneráveis, principalmente aquelas consideradas de baixa renda, por meio de um auxílio concebido com fácil acesso, com a finalidade de mitigar as questões de natureza histórica e governamental que perpetuam esse impasse. Dessa forma, o contexto vivenciado será gradativamente minimizado e se distanciará da triste realidade narrada por Saramago.