Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 17/11/2020

No livro ‘‘Utopia’’, de 1516, o filósofo Thomas Morus propõe uma sociedade ideal e perfeita. Nela, pontua-se a ausência de conflitos e adversidades, o quem vem, desde então, inspirando civilizações ocidentais. Contudo, a problemática da fome e da desigualdade no século XXI tem feito o Brasil se afastar desse lugar utópico. Nesse prisma, é indubitável analisar os aspectos políticos e sociais inerentes à questão, em prol do bem coletivo.

Em primeiro lugar, é válido salientar que, segundo Thomas Hobbes, o ser humano abdica da liberdade,  proveniente do estado de natureza, com o intuito de criar um Estado promovedor das necessidades básicas. Com tal pensamento, é possível perceber que a disparidade socioeconômica e a ausência de alimentos essenciais no país tupiniquim hodierno estão intrinsecamente ligados à negligência governamental, carência de ações, uma vez que a  falta de investimentos direcionados ao sistema educandário público, direito de todo cidadão brasileiro, garantido na Constituição Federal, ocasiona a má infraestrutura de escolas e instituições, com baixas qualidades de ensino e aprendizado. Nesse viés, a situação afeta negativamente as carreiras acadêmicas, as futuras oportunidades de emprego e renda, o que agrava tais impasses na nação. Desse modo, é inegável a existência do problema na conjuntura atual.

Em segundo lugar, observa-se que a fome e a desigualdade social perpetuam desde o nascimento do capitalismo, com a centralização de pessoas em cidades e com o surgimento do proletariado, trabalhador da fábrica, na primeira Revolução Industrial, de 1760. Nesse ponto de vista, a aglomeração de indivíduos em espaços insalubres, fenômeno conhecido como favelização, é acarretada pela urbanização desorganizada, acompanhada, consequentemente, com a privação de saneamento básico, saúde pública, refeições periódicas e melhores condições de vida. Nessa lógica, nota-se que a desnutrição calórica e proteica, na infância, conforme o site ‘‘minha vida’’, atinge todos os sistemas da criança, o que causa retardo de crescimento cerebral e desenvolvimento linguístico, prejudicando a capacidade de realizar tarefas mais complexas, de maneira que alcança a possibilidade de mudança de classe social. Dessarte, é irrefutável o jeito como a adversidade atua na contemporaneidade.

Torna-se evidente, portanto, a real necessidade de se ir de encontro à fome e ao contraste social presentes no Brasil do século XXI. Nesse contexto, o Governo carece de fomentar políticas públicas, tais como o investimento em escolas e instituições, por meio da contratação de profissionais bem qualificados, como professores, orientadores e psicólogos, após processo seletivo, a fim de promover um melhor ensino e combater a desigualdade, acompanhada, ainda, do financiamento direcionado à merenda, com o intuito de reduzir a fome. Desse modo, o país tupiniquim tornar-se-á mais justo e coeso.