Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 18/11/2020

O amarelo da fome continua…

Na obra literária Quarto de despejo: diário de uma favelada, de 1960, a autora retrata a fome e a desigualdade social presentes em uma favela paulistana, trazendo uma ótica interna, amarelada, dessa realidade. No século XXI, não é muito diferente disso, a subnutrição e o abismo comunitário são impasses que persistem no dia-a-dia de muitos países, principalmente aqueles em desenvolvimento. Assim, faz-se necessário discutir a respeito desta problemática nos tempos atuais.

Em primeiro plano, é primordial compreender que a fome está intimamente ligada à disparidade social. Os países com menor quociente PIB/ população, em 2014, são os que apresentaram o índice global da fome mais elevado, de acordo com a ONG Ação Agrária Alemã como, por exemplo, algumas nações latinas e subsaarianas. Tais dados são condizentes com os estudos da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL), no qual 42,5% da população pobre encontra-se na pobreza extrema ou indigência. Desse modo, percebe-se o enlace visceral destas questões sociais.

Nesse sentido, é fundamental expor a importância dos programas assistenciais governamentais. A Constituição Federal brasileira de 1988 preconiza em seu Art.6º como direito social […alimentação, assistência aos desamparados…]. Contudo, mesmo que projetos de auxílio foram implantados, a exemplo, o Fome Zero(2003) e Bolsa Família(2004) os quais, retiraram uma parcela significativa da população da miséria, ainda assim há acentuada desigualdade social. Tal circunstância, infelizmente, têm se agravado, mundialmente, face à pandemia da COVID-19, com isso, é notória a vitalidade dos programas de apoio, em especial os governamentais, às classes mais baixas.

Evidencia-se, portanto, a necessidade do combate a subalimentação e a disparidade entre as camadas sociais. A União, por meio do Congresso Nacional, deve criar mecanismos legais para realocação da verba destinada ao fundo eleitoral de todos os partidos para projetos assistenciais, a fim de efetivamente cumprir os preceitos da Carta Magna. Somente desta forma, a geração atual e as futuras terão a melhoria na qualidade de vida coerente com o esperado para o século XXI, e relatos como o Carolina Maria de Jesus apenas serão utilizados como referência para que tais injustiças não voltem a acontecer e o mundo seja sempre colorido.