Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 17/11/2020

No filme espanhol “el hoyo”, é possível analisar a distribuição de alimentos dentro de uma prisão vertical distópica, na qual fica notório que os primeiros níveis desfrutam de toda a oferta enquanto os de níveis mais baixos dependem dos “restos” deixados pelos antecessores. Analogamente no Brasil, a dificuldade do acesso a alimentos ocorre em virtude da desigualdade social e pelo alto desperdício.

Inicialmente, vale ressaltar o impacto econômico da pandemia do coronavírus na sociedade brasileira. Com a pandemia muitas pessoas perderam o emprego, segundo dados do IBGE a taxa de desemprego estava próxima de 13% no primeiro trimestre de 2020, ocasionando um aumento na desigualdade social do país. Como consequência, muitos indivíduos são distanciados do direito ao acesso à alimentação, haja vista o impacto negativo na renda e o aumento exponencial do preço dos alimentos.

Ademais, juntamente com desigualdade, o desperdício é outro impactante da questão. Segundo o IBGE o Brasil desperdiça anualmente mais de 20 milhões de toneladas de alimentos. Desse modo, fica notório como as ações da sociedade agravam a situação da fome, bem como demonstrado no filme já citado onde os níveis superiores desperdiçavam e não deixavam suplementes para os demais. Entretanto, programas como o “Gastromotiva” demonstram que é possível contornar a questão e amenizar ambos os problemas, a fome e o desperdício.

Urge, portanto, que a sociedade e o governo cooperem para reverter a questão. Logo, cabe aos cidadãos praticarem um consumo mais consciente que busque um melhor aproveitamento dos alimentos, por exemplo, comprar produtos que estejam mais próximos da data de vencimento, amenizando o desperdício. Ainda, cabe ao Poder público patrocinar programas públicos que realizem a distribuição de alimentos a preços mais acessíveis e a ampliação de programas como o restaurante popular, de modo a minimizar os impactos do desemprego e garantir os direitos constitucionais da população.