Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 17/11/2020

Alavancas da desigualdade

No filme ’’ O menino que descobriu o vento’’, disponível na Netflix, é apresentada, por meio da biografia do jovem Willian K., a realidade dos países africanos, caracterizada, principalmente, pela fome oriunda da seca. No mundo hodierno, analogamente ao longa-metragem, destaca-se a fome como um fator de desigualdade. Nesse sentido, urge a necessidade de medidas que visem à solução da insegurança alimentar e nutricional.

Em princípio, conforme o livro ‘‘Armas, germes e aço’’, do biólogo Jared Diamond, os coeficientes determinantes da fome e da desigualdade dos países africanos em relação com os europeus teriam sido as condições geográficas, por inviabilizarem a agropecuária de modo eficiente. Entretanto, tendo em vista os avanços científicos no século XX - como a Revolução Verde, que possibilitou o aumento exponencial da produção agrícola - em conjunto com a correlação global advinda da globalização, tornou-se possível a minimização da fome e, consequentemente, da desigualdade. É fundamental, então, a cooperação internacional para a coibição dessa vulnerabilidade humana.

Ademais, de acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), ressalta-se a obrigatoriedade do Estado em oferecer, por meio da concessão de direitos básicos, como saúde e alimentação, uma vida digna a todos. No entanto, considerando que, com a pandemia da covid-19, o número de pessoas em situação de vulnerabilidade social, no Brasil, tenha crescido exponencialmente, evidencia-se adversidades existentes desde a colonização, como a fome. Nessa perspectiva, no livro ‘‘Casa grande e senzala’’, de Gilberto Freire, é exposto a situação a que os escravos brasileiros eram submetidos, marcada por desigualdade e hábitos alimentares insuficientes, de forma que essa segregação se arraigasse na sociedade até a hodiernidade. Logo, torna-se notório que o país necessita de políticas públicas mais eficientes.

A fome é, dessarte, um fator que condiciona e amplia a desigualdade social. Assim, para solucionar esse impasse em escalas nacionais e globais, é imprescindível a mobilização do Estado, a quem cabe a responsabilidade de, por meio do direcionamento de verba para o Ministério da Cidadania, ajustar as políticas públicas já existentes, como o Bolsa Família, de modo a proporcionar condições de alimentação e saúde para os indivíduos em vulnerabilidade social. Além disso, é fundamental que os países mais desenvolvidos cooperem entre si para auxiliar outros países historicamente prejudicados, como os africanos. Dessa maneira, garante-se tanto o bem-estar social como também a obediência à DUDH.