Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 18/11/2020

O poema “O Bicho”, de Manuel Bandeira, retrata a condição desumana concernente à miserabilidade brasileira durante a década de 40. De forma lamentável, o cenário revelado perpetua no Brasil contemporâneo. Nesse viés, pode-se associar, majoritariamente, o desenvolvimento do sistema capitalista à intensificação da discrepância socioeconômica e do quadro de fome extrema, ao determinar a concentração do destino da produção alimentícia.

A princípio, é pertinente considerar, sobretudo após o processo de Revolução Industrial e a consequente automatização laboral, a tonificação da disparidade social. Exemplifica-se, assim, a vigente situação de desemprego importunar a qualidade de vida de 14% da população nacional, consoante o Portal G1. Nesse aspecto, tem-se a intensa especialização do trabalho, evidenciada em Solidariedade Orgânica, do sociólogo Émile Durkheim, de modo a suscitar a exclusão social no mercado profissional. Posto isso, o descaso mencionado caracteriza a estagnação da desenvolução da nação, uma vez que robustece a centralização da renda e condiciona o país ao eixo do subdesenvolvimento.

Ademais, embora a proposta inicial da Revolução Verde envolvesse a erradicação da fome mundial para defender o aumento significativo da produção agrícola, a repugnante desnutrição persiste no século XXI. Nessa perspectiva, tem-se o retorno do Brasil - considerado, na esfera internacional, como um dos maiores agroexportadores do mundo - ao Mapa da Fome, em 2018, segundo dados do IBGE. Dessa forma, é oportuno desmascarar o dissimulado discurso humanitário, tendo em vista o notório favorecimento da distribuição produtiva aos países desenvolvidos e a negligência social e governamental para com a minoria desfavorecida. Além disso, a marginalização denunciada constitui um golpe à dignidade cidadã, pois o Artigo 6º da Constituição Federal de 1988 assegura a alimentação como um direito de todos, e, consequentemente, aniquila a integridade humana.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas resolutivas e socialmente responsáveis para abrandar a problemática em questão. Nesse prisma, compete ao Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério da Educação, a elaboração de um plano de desenvolvimento social com diretrizes voltadas à profissionalização e ao combate à fome. Tal programa, por sua vez, deverá intensificar os recursos monetários destinados à educação, ampliar o acesso aos cursos de capacitação do SEBRAE, a fim de viabilizar o alcance da empregabilidade. Em paralelo, convém o mapeamento das regiões em estado de subnutrição e a criação de políticas públicas semelhantes ao Fome Zero, com a finalidade de mitigar a subnutrição no país. Logo, possivelmente, a nação caminhará em prol da eminente equidade.