Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 18/11/2020
Desde o início da civilização humana, o combate à fome contribuiu para muitos conflitos e disputas territoriais entre os diferentes povos pelo mundo. Nas últimas décadas, o avanço tecnológico possibilitou inúmeras vantagens agrícolas que fez, a teoria malthusiana, obsoleta. Entretanto, apesar do aumento da produtividade alimentícia, a fome ainda é um problema que, atualmente, está diretamente associado à desigualdade social.
Primeiramente, é necessário entender que o problema da fome não está relacionado a falta de alimento, mas sim, à má distribuição. De acordo com os dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), existe um excedente de 20% de produção de alimento no mundo. Vale ressaltar, também, que apesar do mapa da fome se concentrar em países subdesenvolvidos, a consolidação do capitalismo, como modelo econômico, acentua essa deficiência na aquisição de alimentos - até mesmo nos países economicamente desenvolvidos. Devido a existência dessa desigualdade social, ONGs, como a Pastoral da Criança, se fazem necessárias e atuam com o objetivo de minimizar a falta de acesso aos alimentos para as populações mais pobres.
Em segundo lugar, é necessário entender, também, que a desigualdade social, vivenciada atualmente, tem raízes na consolidação do modelo socioeconômico. Um exemplo disso é a lei de terras, que, desde 1850, legalizou a posse de grandes latifúndios nas mãos de poucas pessoas enquanto as demais terras seriam do Estado. Como nunca houve uma reforma agrária, isso permitiu a segregação popular e o surgimento de áreas habitacionais em condições nocivas – como é o caso de favelas e zonas de encostas sujeitas ao desmoronamento de terra. Além disso, de acordo com Censo 2019, o número de moradores de rua, nos grandes centros urbanos, aumentou consideravelmente nos últimos anos. Coincidentemente, ou não, são estas mesmas pessoas, nestas mesmas condições, que, independente de viverem em países desenvolvidos ou subdesenvolvidos, possuem menos acesso à alimentação adequada.
Fica evidente, por tanto, que a fome e a desigualdade social são problemas de distribuição. Por isso, é necessário que o Governo Federal respeite a constituição de 1988 e garanta moradia e alimentação de qualidade através da reforma agrária. Existem prédios públicos e terras desabitados e que poderiam ser destinados às pessoas em situação de rua e de extrema pobreza e assim minimizar a desigualdade social e garantir o acesso a alimentação.