Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 22/11/2020
No filme espanhol “O poço”, prisioneiros são confinados em uma torre vertical e apenas podem se alimentar dos restos de comida do nível superior. Na narrativa, fica clara a disparidade do luxos dos primeiros andares comparada à miséria dos últimos, analogamente à realidade. Fora do mundo distópico, o problema da fome no Brasil se vê, de fato, atrelado à desigualdade social do país e configura-se como uma mazela social. Sob esse viés, é válido analisar as raízes históricas e a ausência de políticas públicas como impulsionadoras da problemática.
Inicialmente, cabe ressaltar os efeitos da colonização portuguesa como geradora de uma disparidade econômica e social. A partir do pensamento do economista Celso Furtado, para quem a ideia do subdesenvolvimento é uma estratégia para a manutenção da exploração, percebe-se que a carência de alimentos e a má distribuição de recursos - característica de uma economia emergente - é sustentada pela persistência do pensamento colonial no Brasil. Evidentemente, se uma grande parte da organização social é construída sob os seculares parâmetros europeizados, sair da condição de explorado torna-se um desafio.
Pontua-se, ainda, a fome e a concentração de recursos como potencializadora dessa questão. Isso ocorre devido à escassez de políticas públicas e destinação de verbas para projetos socioeconômicos capazes de dirimir os efeitos da colonização, o que gera, como consequência, uma sociedade verticalmente hierarquizada. Isso pode ser observado nos dados do FMI - Fundo Monetário Internacional - os quais mostram que o Brasil é a nona economia mundial, mas ao mesmo tempo é o segundo país mais desigual do mundo e com 10 milhões de pessoas passando fome. Dessa forma, percebe-se que ao longo da história da nação, o crescimento econômico nunca foi acompanhado de um desenvolvimento social.
A fim de atenuar esse impasse, é necessário que medidas sejam tomadas. Urge-se que o Governo Federal com o apoio do Tesouro Nacional, deve desenvolver ações que revertam a situação da fome e da desigualdade social. Essa medida deve ser feita por intermédio do desenvolvimento de um políticas de geração de emprego e renda, como programas abrangentes de renda mínima, além da ampliação da política de reforma agrária com apoio à agricultura familiar. Isso deve ser feito com o objetivo de recuperar o poder aquisitivo e fortalecer o desenvolvimento social desse público. Desse modo, a realidade irá se distanciar do universo distópico e todos os brasileiros estarão num mesmo nível socioeconômico.