Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 25/11/2020
Segundo o sociólogo brasileiro Herbert José de Souza, “quem tem fome tem pressa". A frase, mesmo sendo pronunciada no início dos anos dois mil, preserva a ideia de sobrevivência de uma população. Não tão longe da realidade, a persistência da fome e da desigualdade no século XXI são problemas ignorados, especialmente, quando se preserva na estrutura política uma má gestão em fornecer políticas públicas de acesso ao consumo aos cidadãos, bem como a concentração de terras que subjuga padrões alimentares ao restringir populações à insegurança alimentar.
Em primeiro lugar, é válido citar o Relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), emitido no ano de 2018- segundo as estatísticas, aproximadamente, cerca de 820 milhões de seres humanos no planeta têm fome. Nesse sentido, a pesquisa revela o falho sistema de distribuição de alimentos, uma vez que a Revolução Verde não obteve êxito em acabar com a fome mundial. Consequentemente, a distribuição desigual de renda nos países permeou no sentido de agravar a situação socioeconômica - de acordo com o pesquisador norte-americano Maslow, a hierarquia social de progresso econômico necessita que seres humanos tenham livre acesso as condições essenciais à vida- o acesso à comida é uma das necessidades fisiológicas fundamentais em garantir a sobrevivência do corpo social.
Em segundo lugar, cabe a ideia de que a concentração de terras nas mãos de poucos agravou a pobreza entre a classe social subjugada. A respeito do tema, encontra-se a tese do filósofo Karl Marx - segundo o pensador, a estrutura econômica de um governo é a base para todas as relações socais, pois é ela que determina as condições materiais de uma sociedade. Não tão distante da realidade, a teoria do materialista pode ser vislumbrada no contexto brasileiro- apesar de ser um dos grandes produtores de alimentos, o Brasil compromete uma população de 10 milhões de brasileiros que não possuem comida em suas mesas - dado estatístico revelado em 2018 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Com isso, nota-se o quão agravante para os cidadãos é a preservação de uma estrutura agrária dominada pelo latifúndio, que privilegia a exportação de alimentos, ao invés do investimento em subsidiar pequenos proprietários que abastecem o mercado interno.
Portanto, em função dos argumentos citados e da problemática exposta, ações são necessárias a fim de reverter tal situação caótica no século XXI. Para tanto, é necessário que o Ministério da Economia, em ação conjunta, com empresas privadas invista em políticas de aperfeiçoamento em combater à fome - como o Bolsa Família, além de fornecer subsídios para pequenos proprietários de terra que produzam alimentos essenciais à sobrevivência humana. Firmada tais medidas, espera-se que a frase dita pelo sociólogo Bertinho não seja uma realidade social no país.