Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 04/12/2020

Pawel Kuczynski, ilustrador e desenhista polonês, mostra, em suas obras, um meio social injusto, falido e com valores distorcidos. De maneira análoga às intenções artísticas do polaco, o contexto de desigualdade e fome, no Brasil contemporâneo, é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a relevância de debater sobre esta temática, seja pelas raízes do imbróglio terem o seu início desde a época colonial ou pela negligênciação governamental em suprir as necessidades de grande porcentagem da população.

Primeiramente, é essencial destacar que apesar do Brasil Colônia ter ficado no passado, algumas de suas sequelas permaneceram no cenário hodierno, de modo a desencadear um efeito em cadeia. Visto que, no intuito de povoar o país na esfera do descobrimento em 1500, Portugal dividiu o território em capitanias hereditárias, entretanto, estas proporcionaram o desigual partilhamento de terras entre as pessoas. Dessa maneira, na atualidade, a nação possui muitos latifúndios, de forma a gerar desigualdades sociais, que por sua vez, resultam em fome, e por conseguinte, em desnutrição das camadas mais pobres.

Destarte, nota-se a existência de uma ditadura das minorias econômicas, em detrimento da maior parte populacional que fica a mercê dos caprichos dos primeiros. Sendo que, segundo o pensamento liberal-utilitarista de Jeremy Bentham e Stuart Mill, é bom aquilo que produz felicidade para a maioria dos cidadãos. Ademais, a Constituição Federal de 1988- norma de maior hierarquia no sistema jurídico vigente - assegura a todos direitos fundamentais, a exemplo da igualdade, alimentação e saúde. À vista disso, é evidente que esse regulamento precisa ser cumprido para asseverar o bem- estar dos brasileiros.

Infere-se, portanto, que é imprescindível alterar o quadro em questão. Assim, cabe ao Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério da Saúde, reduzir as desigualdades financeiras entre os indivíduos e diminuir o número de atores sociais desnutridos. Isso, por meio da criação de políticas públicas mais eficazes para combater essa situação, mediante o uso de indicadores socioeconômicos, pesquisas e a organização de um fundo investidor para acumular verba para esse fim. Com o fito de atenuar o aparecimento de desequilíbrios estruturais e da fome no país.