Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 14/12/2020

No século XIX, durante o Brasil Império, houve, com o apoio das elites agrárias, a criação da Lei de Terras, no qual dificultava as classes mais baixas no processo da compra de novas terras, com o objetivo de concentrar essas posses nas mãos de poucas pessoas. Entretanto, apesar dessa lei não valer mais e ter passado quase dois séculos, até hoje há marcas da concentração fundiária e financeira no Brasil, principalmente na dificuldade do crescimento do IDH no país. Nesse sentido, rever a situação social e cultural dessas pessoas é fundamental para avaliar seus efeitos na contemporaneidade.                 Primeiramente, é válido destacar os motivos para o país ter tanta dificuldade em melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano. Segundo Aristóteles, devemos tratar os iguais igualmente e os desiguais desigualmente na medida da sua desigualdade. Porém, essa ideia não é respeitada no país, principalmente porque apesar de uma necessidade de reforma agrária e desconcentração de renda, boa parte da população sobrevive somente com os auxílios do Estado. Além disso, essa parte da população que não tem um emprego formal e até mesmo não trabalha por falta de oportunidade, não contribui com impostos com o Estado. Assim, os investimentos em saúde e educação pública ficam comprometidos pelo limite de verba acumulado pelo país, o que leva a uma estagnação nos três pilares do IDH (Renda, saúde e educação).

Ademais, é importante frisar, também, os danos desse descaso social que persiste no país. Segundo dados da Folha de São Paulo, cerca de 3% da população mais rica do Brasil tem o equivalente a 30% de toda fortuna do país. Sob essa ótica, as oportunidades dadas às novas gerações são muito desiguais, isso por conta de haver processos de meritocracia muito presente numa sociedade totalmente desigual, que não cumpre nem a democratização do acesso aos recursos mínimos indicados na Constituição. Esse fato é comprovado com a pesquisa do G1, que afirma que 40% dos jovens que saem da escola antes do término alegam que seja por conta da necessidade de trabalhar para ajudar no sustento da família. Assim, há um distanciamento que aumenta constantemente entre os recursos dos mais ricos em relação aos mais pobres, tornando o país mais heterogêneo.

Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que o Estado deva iniciar uma desconcentração de renda no país por meio de uma reforma agrária distribuindo as terras agricultáveis que estão sem uso para os mais necessitados, a fim de que haja uma democratização nos meios básicos e gere menos dependência da população em relação auxílios do Estado. Assim, haverá um maior acumulo de impostos e poderá melhorar a qualidade de vida dos brasileiros e ter um crescimento no Índice de Desenvolvimento Humano.