Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 17/12/2020
A fome e desigualdade social no século XXI são formadas a partir de uma série de fatores incongruentes com a ideia proposta pela Conferência Mundial sobre Alimentação de 1974, onde a ONU (Organização das Nações Unidas) estabeleceu que “todo homem, mulher, criança, tem o direito inalienável de ser livre da fome e da desnutrição”. Com isso, observa-se a permanência dos empecilhos sociais supracitados, intrínsecos a causas de má distribuição e desperdício de alimentos, além da estagnação das politicas publicas e a situação de pobreza, que por sua vez, são fatores primaciais na construção desse cenário decadente.
Em primeiro plano, evidencia-se a situação correlativa da fome e desigualdade no mundo. Sendo assim, um fator pode ser a causa ou consequência do outro, já que a fome ocorre também por insuficiência de renda por conta da pobreza que sentencia a privatização do acesso aos meios básicos de sobrevivência. Esse quadro afeta quase 8,9% da população mundial, de acordo com o documento da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). Nesse sentido, o filme “O Poço” exibe pessoas que são internalizadas em uma prisão vertical e só podem se alimentar dos restos de comida do nível superior. Fora da ficção, é perceptível a concordância com a desigualdade atual, a partir da interpretação dos níveis como classes sociais, onde as mais baixas são submetidas à escassez de alimentos.
Outrossim, é indispensável pontuar a existência de políticas públicas relacionadas a alimentação que muita das vezes têm um curso interrompido. As consequências tanto dessa interrupção quanto da inexistência das mesmas são fatais e agravam ainda mais a condição econômica do país. Em suma, o filósofo Karl Marx defende que não é a consciência do homem que determina o seu ser e sim o seu ser social que determina a sua consciência. Desta forma, o mesmo esclarece a situação de diversidade dos menos privilegiados, tendo as suas condições deliberadas pela sociedade.
Infere-se, portanto, que o governo prossiga com programas auxiliadores na distribuição de renda e alimentos, com o intuito de equilibrar o acesso a melhores condições de vida. Além disso, é imperiosa a promoção por meio das mídias digitais de campanhas que incentivem a redução de desperdícios alimentares e uma melhor distribuição de alimentos, a fim de conscientizar a sociedade. Só assim, um futuro igualitário e próximo à supressão da fome tende a tomar uma perspectiva menos utópica.