Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 23/12/2020
No período colonial, as terras brasileiras foram divididas em latifúndios concentrados nas mãos de poucos proprietários, os quais visavam explorar o território pela implementação de agricultura de larga escala. No século XXI, consequências desse gradiente de acumulação ainda podem ser observadas, tanto na ausência de acesso universal e igualitário a áreas para moradia, quanto na supressão de outros direitos que essa centralização pode gerar, como o da alimentação. Nesse contexto, nota-se que essa aglutinação criou um cenário desigual perdurante, em virtude da legislação deficiente e da falta de empatia.
Antes de tudo, a legislação atual não é suficiente para garantir os direitos da população. Nesse sentido, segundo o filósofo italiano Nicolau Maquiavel, mesmo as leis mais ordenadas são impotentes diante dos costumes. Dessa forma, Maquiavel exemplifica que a criação de normas para a eliminação de discrepâncias sociais não é suficiente para solucionar essas adversidades, e é necessária a implementação de intervenções que ajam diretamente nessa questão. Diante dessa perspectiva, a Constituição Federal de 1988 garante o direito à alimentação, ao trabalho e à moradia. Contudo, verifica-se uma lacuna de ações efetivas que consolidem essas liberdades, dado que essas disparidades ainda persistem no país. Desse modo, é fundamental a intercessão direta nesse assunto. Ademais, o individualismo presente nessa situação deve ser confrontado. Assim, de acordo com o sociólogo alemão Émile Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Nessa perspectiva, se os indivíduos são criados em um ambiente injusto, isso torna-se parte do senso comum deles, a noção de que a desigualdade é inevitável e que não há possibilidade de opor-se a ela. Dessarte, é imprescindível desmistificar essas idealizações para que a sociedade se atente para essa temática de forma crítica e busque combatê-la de forma efetiva, por atitudes solidárias e cobrança do Estado para que essas adversidades sejam minimizadas.
Portanto, faz-se necessário criar políticas para o combate dessas discrepâncias. Assim sendo, o Ministério da Cidadania, com o apoio da população, deve, por meio de verbas públicas, criar um programa de apoio às pessoas menos favorecidas. Dessa maneira, esse projeto atuaria na reinserção desses sujeitos na vida social, com a construção de moradias e a oferta de oportunidades de trabalho. Além disso, a sociedade auxiliaria esse planejamento pela doação de alimentos e pelo direcionamento de indivíduos em situação de vulnerabilidade para serem comtemplados por esse projeto. Em suma, a partir desses atos, essas disparidades seriam reduzidas na nação.