Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 02/01/2021
O ditado popular francês “que comam brioche” proferido pela primeira vez pela Rainha Maria Antonieta, foi utilizado por essa quando questionada sobre a ausência de comida dos camponeses. Sob essa ótica, verifica-se o alheamento da governanta diante do fato de que a fome da população era causada pela falta de alimento, não pela má vontade de comer, como pensava a rainha. Na atualidade, a fome ainda está presente na sociedade, em especial no Brasil, e os líderes pouco fazem para mudar esse cenário, assim como Maria Antonieta. Esse problema, cuja causa se relaciona com a desigualdade social, gera consequências negativas como desrespeito aos direitos civis.
Deve-se destacar, inicialmente, que há uma forte discrepância econômica entre os brasileiros, tanto que alguns não possuem renda nem para necessidades básicas, como a alimentação. Isso porque, ao longo da história do país, não só poucas políticas de inclusão dos mais pobres foram feitas, mas também com a urbanização e industrialização as classes mais baixas foram ainda mais marginalizadas, tornando o acesso à comida mais difícil. Tal conjuntura, é tão séria que já foi tema de várias obras literárias como “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto e “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, as quais contam as histórias de indivíduos fugindo da seca e fome do interior em busca de mudança de vida nos grandes centros, no entanto o que encontram é mais segregação e poucas oportunidades de ascensão. Assim, é inadmissível a persistência dessa estrutura social que exclui e retira até a comida dos mais pobres.
Por conseguinte, nota-se uma violação do artigo 6° da Constituição Federal, o qual assegura, entre outros, o direito à alimentação. Essa incompatibilidade entre a realidade e a legislação brasileira não é atual, uma vez que, há muitos anos, o intelectual Machados de Assis já escrevia sobre a existência de dois “brasis”: o real, no qual mais de 15 milhões de indivíduos passam fome diariamente, e o oficial, que garante a alimentação saudável e segura à toda população. Nessa perspectiva, é incabível a ineficácia dos governantes em continuar não garantindo os direitos básicos a toda população verde e amarela. Logo, é essencial acabar com a fome no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Cidadania facilitar a compra de alimentos pela população mais pobre, por meio da criação de um cartão, com uma quantia aplicada mensalmente – o qual deve ser válido em todos os mercados e ofertado a famílias carentes –, com o propósito de que as pessoas tenham condições de comprar alimentos. Dessa forma, toda população brasileira enfim poderá comer brioche.