Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 10/01/2021

A obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, remete a história de uma família em busca por alternativas para garantir a sobrevivência em um cenário de incertezas. Embora seja um livro, ele descreve a realidade de muitas pessoas que vivem em extrema pobreza no Brasil, sendo 13,7 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2020. Nesta perspectiva, o incentivo às causas sociais, se torna um aliado no que tange ao equilíbrio entre fome e desigualdade social no país.

Em primeiro lugar, a fome (gatilho que está relacionado à desigualdade social), se resume à falta de comida disponível ou a impossibilidade de ter acesso e/ou comprar alimentos. Para o filósofo Hobbes, o contrato social, é a renúncia dos direitos individuais para o Estado em nome da paz civil, no entanto, o Estado não cumpre o seu dever em vista dos 13,7 milhões de afetados por falta de sua assistência. Ademais, o Banco Mundial, define como uma pessoa pobre, aquela que possui renda inferior à 499 reais mensais, enquanto a pobreza extrema atinge quem tem menos de 178 reais por cabeça ao mês, valores muito abaixo ao salário considerado mínimo para sobreviver, sendo 1.088,00 em 2021.

Em contrapartida, é válido ressaltar que o Brasil é rico em terras agrícolas e tecnologia de ponta. Consequentemente, a safra de grãos teve capacidade para produzir 250,5 milhões de toneladas em 2020, portanto, isto seria o equivalente para alimentar 50 milhões de pessoas. Dessa forma, entende-se que o real problema da fome não condiz com a falta de alimentos, mas sim, à má distribuição de renda e recursos básicos.

Dessa maneira, é dever do Estado, elaborar leis severas para agricultores e produtores não cobrarem valores exorbitantes em alimentos básicos, o seu não cumprimento irá acarretar ms o fechamento do estabelecimento. Também se torna responsabilidade do Ministério da Justiça, fiscalizar a distribuição de benefícios e renda mínima de forma justa à população, garantindo assim, os direitos básicos impostos no artigo quinto da Constituição Federal e impulsionando assim, à garantia pela vida.