Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 16/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma ilha imaginária na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, o que se observa na realidade brasileira é o oposto do que foi idealizado por More, uma vez que a persistência da desigualdade social e da fome destaca-se como um importante desafio a ser enfrentado. Esse cenário tem sua origem na falta de políticas educativas e possui impactos negativos para o país. Logo, convém a análise dessa conjuntura com o intuito de mitigá-la.
Vale ressaltar, a princípio, a carência de políticas educativas que promovam maior consciência social para o enfrentamento do problema da fome. Nesse sentido, é pertinente destacar a importância do ambiente escolar no desenvolvimento de valores como o da empatia e no incentivo a projetos solidários. Sob essa perspectiva, o educador Paulo Freire destaca a educação como elemento fundamental para mudanças sociais e, por isso, defendia um ensino capaz de estimular reflexões críticas que levem a uma maior compreensão da sociedade. No entanto, situações atuais vão de encontro a esse ideal na medida em que muitos jovens crescem sem refletir e se sensibilizar sobre as graves consequências da desigualdade social no país. Desse modo, faz-se mister a reformulação da postura estatal de forma urgente.
Além disso, há preocupantes problemáticas advindas dessa conjuntura. Dentre elas, ocorre que quando o direito básico à alimentação adequada não é garantido, as demais esferas da vida do indivíduo também ficam comprometidas. Nesse contexto, segundo o sociólogo Émile Durkhein, a sociedade deveria funcionar de maneira análoga a um organismo biológico, no qual as partes interagem harmonicamente entre si. Entretanto, nota-se que o país ainda está distante dessa realidade, visto que a falta de engajamento de parte da população faz com que as pessoas em situação de miséria continuem marginalizadas socialmente, exclusão que contribui para a perpetuação da fome. Faz-se imprescindível, portanto, a dissolução dessa conjuntura.
Destarte, para amenizar o quadro atual, cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas que, por meio de oficinas pedagógicas, discussões engajadas e palestras, possua como finalidade trazer mais lucidez sobre as causas e as consequências da desigualdade social e da fome. Esses eventos devem contemplar desde a educação básica até o ensino superior, contar com a participação de especialistas no assunto e incentivar a criação de novos projetos solidários que atendam pessoas em vulnerabilidade social. Assim, essas medidas estarão em conformidade com o pensamento de Paulo Freire, que procura transformar a realidade brasileira por meio da educação.