Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 16/02/2021
“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”, escreveu perspicazmente Machado de Assis em sua obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, no século XIX. Miséria essa, que diferente da citação, ainda atravessa gerações neste país, em virtude de suas iniquidades sociais, de renda e de oportunidades, além da persistência das fraudes políticas.
Nesse contexto, ressalta-se que o desequilíbrio social do Brasil tem origem não apenas em seu passado escravagista, mas também na visão de “superioridade do homem branco”. Essa realidade é percebida em frases, como: “No alto de suas vassouras desejam feliz ano novo.”; proferida pelo jornalista Boris Casoy, em 2009, a dois garis que deram entrevista ao telejornal apresentado pelo ancôra. Nesse sentido, a assimetria social, além da falta de poder econômico, também é notada pela ausência de prestígio e oportunidades, tal como dimensionou a sociedade o sociólogo Max Weber.
Outrossim, destaca-se que a improbidade da política brasileira dificulta sobremaneira a busca por melhorias de condições econômicas e sociais da coletividade. Com isso, há a acentuação da problemática da fome, logo, o quantitativo esperado de quase 15 milhões de brasileiros que passarão fome até meados de 2021, segundo o Relatório ActionAid, de 2020, pode lançar o país ao “Mapa da fome” novamente. Sinergicamente, as chances de mobilidade social tornam-se escassas, o que contribui para que a nação continue no “roll” entre as mais desiguais, conforme citado pela Organização das Nações Unidas, em 2020.
Evidenciam-se, portanto, tendências de continuidade da fome e das disparidades sociais. Assim, para reverter essas desigualdades cabe às associações comunitárias, às ONGs de atuação social e às escolas cobrarem a implementação de políticas de distribuição de renda e riqueza - a exemplo da redução de impostos em bens de consumo básicos - por meio de manifestações nas redes sociais ou nas ruas, envio de cartas de reclamações ou sugestões às autoridades, além de averiguações permanentes em locais mais pobres. Desse modo, todos poderiam ser respeitados em seus direitos, segundo o que preconiza a Declação Universal dos Direitos Humanos.