Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 17/03/2021

No livro “Vidas secas”, de Graciliano Ramos, um dos personagens mata seu papagaio de estimação para servir de alimento a sua família, retratando a insegurança alimentar desse povo. Fora da ficção, esse é um cenário comum no Brasil, pessoas vivendo na extrema pobreza com condições de vida precária não tendo ao menos o que comer. Entrelaçado a isso, observa-se que a fome e a desigualdade social estão interligadas, tendo em vista que a desigualdade social não é um problema contemporâneo e possuí raízes históricas em que a hierarquia social sempre apresentou privilégios sócio-econômicos.

De acordo com o jornal BBC news, ‘‘O Brasil alimenta em torno de 1 bilhão de brasileiros, porém, quase 10 milhões ainda passam fome’’. Portanto, de acordo com o dado apresentado, fica evidente que a problemática não gira em torno da produção alimentícia, e sim da má distribuição dela. Isto é, o país possui uma grande demanda na produção, porém apenas uma parcela da população apresenta condição financeira para usufruir dela. Nesse viés, existe a fragilidade constitucional, que detém uma maior quantidade da produção de alimentos aos centros urbanos ao contrário das áreas rurais, o que fortalece a má distribuição de recursos e intensifica a fome pela falta de estrutura governamental, a qual permite a ineficácia tentativa de resoluções sociais.

Por seguinte, a fome e a pobreza se relacionam, já que podem ser a causa uma da outra. No filme espanhol “O poço”, prisioneiros são confinados em uma torre e só podem se alimentar dos restos de comida dos níveis que estão acima. Entretanto, é possível perceber uma grande relação com a desigualdade social, onde os níveis mais altos representam a população de grande poder aquisitivo, e os níveis mais baixos a sociedade periférica, que recebe apenas as “sobras” da elite, gerando distinções simbólicas que afetam diversos eixos do modo de vida da população. Assim, como fora da distopia a população economicamente desfavorecida é novamente descartada e esse cenário é passado de geração em geração.

Em conclusão, propostas devem entrar em vigor a fim de solucionar os problemas apresentados. Para tanto, o Governo em parceria com o Poder Judiciário devem aplicar leis mais rigorosas e sentenças mais rígidas no que se diz a questão da má distribuição de recursos, melhorando a apuração da fiscalização. Ademais, o Governo Federal deve também destinar maior verba a campanhas de apoio a sociedade economicamente desfavorecida, em programas como o bolsa família. Para que assim, a desigualdade social e a fome extrema sejam cada vez mais evitadas.