Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 22/05/2021

O filme “Jogos Vorazes”, acontece em uma realidade distópica, na qual a guerra devastou o mundo, espalhando fome e destruição para a maior parte da população, enquanto a minoria vive no luxo e na ostentação. Não distante da ficção, a desigualdade social e a fome são constantes na sociedade hodierna, visto que  a renda concentra-se na mão da minoria e o desemprego cresce de forma exponencial e, assim, os indivíduos tornam-se cada vez mais vulneráveis, sendo vítimas, por exemplo, da privação de uma alimentação adequada.

A priori, cabe salientar que a concentração de riquezas é fator fundamental na propagação da desigualdade social e, logo, da fome. Durante a Revolução Francesa, conta-se que a França sofria com uma população faminta, foi quando a princesa Maria Antonieta declarou “se eles não tem pão, comam brioches”. Em outras palavras, enquanto grande parte do país tinha fome, a corte emergida em tesouros não podia ver, com clareza, a realidade dos menos favorecidos. Desse modo, na contemporaneidade, o contraste entre os mais ricos e os mais pobres é imensurável, ou seja, enquanto os ricos são muito ricos, os pobres são muito pobres. De acordo com um estudo publicado por uma ONG britânica, o 1% da população com mais bens no mundo sobressai-se a riqueza somada dos 99% demais, evidenciando, assim, que ainda há uma corte análoga a francesa. Assim, a despropocionalidade das riquezas é uma principais causa para a desigualdade social e, por conseguinte, a fome.

Ademais, o desemprego ascendente torna a sociedade, ainda, mais desigual. Segundo o sociólogo Herbert de Sousa, acabar com a fome não é só dar comida e acabar com a miséria, mas promover a reemprego para reconstruir. Em outras palavras, doações de alimentos e redes de alimentação comunitárias são paleativos que não resolvem o problema. Haja vista que, somente, a empregabilidade é capaz de dar manutenção efetiva à mesa dos brasileiros. Todavia, o desemprego aumenta e, com ele, a fome. Durante a pandemia do SARS-Covid-2, quase 15 milhões de pessoas no país encontravam-se sem emprego, ultrapassando o recorde da última década. Logo, o desemprego promove a desigualdade e a fome, sendo inviável não tomar medidas para mitigá-lo.

Depreende-se, portanto, a necessidade da adoção de medidas para melhorar a situação de desigualdade social e a fome, por ela causada. Para tanto, urge que o Ministério da Economia promova campanhas eficientes no combate ao desemprego e, por consequência, à fome. Em parceria com o Governo Federal, deve proporcionar a criação de empregos em obras públicas e aumentando a frequência da execução de concursos públicos e afins. Só assim, a realidade assustadora dos “Jogos Vorazes” não alcançará a realidade.