Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 17/07/2021

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são uma agenda mundial adotada durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, elaboradas em setembro de 2015. Estas, por sua vez, são compostas por 17 objetivos a serem atingidos até 2030. Neste compromisso social estão previstas ações mundiais nas áreas sociais, ambientais, econômicas e institucionais. Logo, por meio destas, há uma conjectura na erradicação da insegurança alimentar e na redução da desigualdade. Não obstante, na conjuntura atual global, a situação pandêmica aliada a ineficácia das políticas públicas demonstra um detrimento aos direitos humanos. Desta maneira, é necessária a discussão acerca das normas que reconhecem e protegem a dignidade de todos os seres humanos.

Primeiramente, ressalta-se a questão da deficiência no sistema de distribuição. Esse déficit está, sobretudo, ligado a construção da estrutura social, que nas atuais circunstâncias é extremamente desigual. Contudo, para tratar a fome é fundamental atuar também sobre a pobreza. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o crescimento econômico dos países é um fator substancial para redução da fome mundial. Entretanto, para que esse desenvolvimento ocorra de maneira inclusiva é imprescindível a promoção de mais oportunidades, visando a melhoria na produtividade, na renda dos produtores e na repartição equitativa de alimentos.

Em segundo lugar, outro fator agravante deste cenário é o desperdício de alimento. Estas perdas não se limitam a esfera econômica, mas englobam outros insumos utilizados na produção, como matérias-primas. À respeito disso, especificamente no Brasil pode se citar uma política pública chamada de transferência de recursos. No que lhe concerne, ela objetiva aumentar a distribuição da renda local a curto prazo, ou aliviar a situação de carência ao disponibilizar capital para que grupos vulneráveis consigam sobreviver. É o caso do Fome Zero e do Bolsa Família. À vista disso, a desigualdade social tende a diminuir conforme a distribuição de renda interna aumenta.

Impende, portanto, a atuação dos órgãos competentes por intermédio de ações governamentais. Por isso, cabe ao Poder Público administrar e renovar programas e políticas de cunho social e econômico, que auxiliem no acesso e distribuam rendas e alimentos de forma igualitária. Outrossim, os meios midiáticos e as Organizações Não Governamentais (ONGs) devem promover campanhas nas quais conscientizem e façam a população repensar quanto a má distribuição e os desperdícios alimentares, a fim de atingir as finalidades das ODS. No fim, será notório um avanço em todas as escalas: social, econômica e de saúde pública.