Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 17/07/2021
O direito humano à alimentação adequada está contemplado no artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948. Toda via, apesar dos grandes avanços econômicos, socias, tecnológicos ocorridos no país, milhares de pessoas no Brasil ainda não possuem acesso regular à alimentação básica. Pode-se dizer que essa problemática é resultante da má distribuição de renda, do desperdício exacerbado e da falta de planejamento na distribuição de alimentos para a população brasileira.
Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que, após recuar em mais da metade em uma década, a fome voltou a se alastrar pelo Brasil, que atingiu o menor patamar de pessoas com alimentação plena e regular no levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre junho de 2017 e julho de 2018. Segundo os dados divulgados, em cinco anos, aumentou em cerca de 3 milhões o número de pessoas sem acesso regular à alimentação básica, chegando a, pelo menos, cerca de 10,3 milhões o contingente nesta situação.
Em segundo lugar, é importante destacar os fatores que contribuem para que esse impasse persista no país. Segundo um estudo conduzido pelo professor Danilo Rolim Dias de Aguiar, pesquisador da Universidade Federal de São Carlos, a produção nacional de alimentos é suficiente para os mais de 204 milhões de brasileiros, mas a desigualdade de renda e o desperdício ainda fazem com que 7,2 milhões de pessoas sejam afetadas pela fome no Brasil. Enquanto há uma alta concentração de renda e riqueza em uma pequena parcela da população, para a maior parte dos brasileiros, que possuem baixa renda, o consumo é limitado pelo desabastecimento e a lei do mercado é dura: em situações de pouca oferta e muita demanda, os preços aumentam e isso impede que as pessoas pobres tenham uma dieta nutricional adequada. Ademais, as casas brasileiras são responsáveis por desperdiçar 41 mil toneladas de alimento por ano. O desperdício de alimentos ocorre em função da perecibilidade, que muitas vezes são embalados, manuseados e transportados inadequadamente.
Diante ao exposto, é mister que o Estado promova um plano para uma efetiva distribuição de renda básica, que deve contemplar as populações carentes. Ademais, deve direcionar verbas significativas para a criação de programas de combate a fome no país, como o programa “Fome Zero”, que visa pessoas em situação de insegurança alimentar grave e consiste numa estratégia governamental para garantir o direito a alimentos básicos. Também é importante que a Mídia desenvolva propagandas informativas acerca do desperdício de alimentos a fim de conscientizar a sociedade. Assim, o Brasil será contemplado de acordo com o artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos de 1948.