Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 17/07/2021
Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita: “Tinha uma pedra no meio do caminho”, metaforizando os desafios que impendem o pleno desenvolvimento do bem-estar social. Correlativamente, no Brasil hodierno, a fome e desigualdade social configuram-se como um obstáculo na conquista legítima do bem comum, pois interferem diretamente no crescimento ecônomico do país, bem como na formação de crianças e adolescentes em tais situações de vulnerabilidade sócio-econômica. A partir disso, é válido inferir que a lenta mudança de mentalidade da população, assim como a omissão governamental, estão entre as principais premissar agravantes desse quadro.
É inevitável, em primeiro aspecto, observar os critérios para a formação da “Linha da Pobreza”, especulada pelo Banco Central, que refere-se à parte da população pobre como aqueles que vivem com menos de dois dólares por dia. Questões de inacessibilidade ao saneamento básico, por exemplo, obstruem um desenvolvimento saudável e contribuem para a má formação de crianças com até cinco anos de idade, afetando a região cerebral. É dever do Estado fornecer serviços básicos para os cidadãos, como ressalta o filósofo renascentista Rousseau no Contrato Social, que deve ser estabelecido entre coletividade e instituições públicas para o enfrentamento de problemas comunitários. À luz dessa ideia, precisa-se mitigar essa mazela em função desse incômodo.
Outrossim, as autoridades públicas não têm dado a devida importância para esse assunto, visto que há escassas tentativas, por parte desse órgão, de propugnar propagandas para o axílio de pessoas necessitadas de uma alimentação adequada. De acordo com o Centro Brasileiro de Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo, no Brasil, a fome é rotina de 19,3 milhões de brasileiros que não contam com nenhum auxílio do governo. Em alusão ao dado apresentado, segundo o IBGE, 15 brasileiros morrem diariamente pela fome, contrariando um dos mais famosos versos de Caetano Veloso, que diz: “Gente é para brilhar, não morrer de fome”. Assim sendo, faz-se necessário a ação governamental no enfrentamento à pobreza.
Torna-se improvelável, portanto, desconstruir problemas e propor medidas solutivas. Em vista disso, cabe às ONGs relacionadas ao apoio comunitário, por meio de redes sociais - detentoras de maior abrangência nacional - que criem ficções engajadas, as quais divulguem como é possível ajudar os citadinos que necessitam de alimento. Além disso, o Congresso Nacional - instituição de poder máximo estatal -, deve aprovar projetos que iniciem campanhas de combate à pobreza no Brasil, com o fito de melhorar a qualidade de vida da população e assegurar um futuro próspero para a nação. Somente assim conseguir-se-à retirar a “pedra do caminho” citada por Drummond.