Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 17/07/2021

O filósofo grego Hipócrates, dito por muitos o pai da medicina, defendia, dentre várias ideias, que uma alimentação saudável pode ser considerada até mesmo um medicamento, dizendo: “que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio”. No entanto, observa-se atualmente que a questão da fome no Brasil está se agravando cada vez mais. Esse cenário é, sem dúvida, decorrente da desiguadade social presente no país, já que, mesmo que se produza cada vez mais, o número de pessoas em situação de insegurança alimentar cresce cada vez mais.

É necessário ressaltar, em primeiro plano, que o problema da fome no Brasil não ocorre por falta de alimento, mas sim pela má distribuição do mesmo. Segundo uma pesquisa realizada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a produção agrícula brasileira é responsável por alimentar cerca de 1/10 da população mundial, havendo um aumento de quase 80 bilhões de dólares na participação nacional no mercado mundial de alimentos durante os últimos 10 anos. Apesar disso, dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que, de 2013 para 2018, houve um aumento de mais de 40% no número de pessoas em situação de insegurança alimentar grave. Nesse sentido, é inegável que a fome nacional é decorrente de uma má distribução de alimentos, já que, mesmo com a alta na produção agrícula, o problema continua se agravando.

Deve-se abordar, ainda, que essa má distribuição de alimento é diretamente ligada ao problema da desigualdade social, havendo muitas famílias que não tem a renda necessária para uma alimentação saudável. Um exemplo disso é o preço da cesta básica, que está custando atualmente cerca de 3/5 do salario minimo, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos. Essa situação fica cada vez pior, sendo que, segundo uma pesquisa realizada pelo economista Marcelo Neri, o Índice de Gini (usado para medir a desigualdade) atingiu um novo recorde no primeiro trimestre desse ano, com um valor superior a 0.64 (no qual 1 representa uma situalção de  desigualdade total).

Diante dos fatos expostos, torna-se evidente que, para resolver a questão da fome e da desigualdade social no Brasil, medidas devem ser tomadas imediantamente. Para tal, o Ministério da Economia deve facilitar a compra de alimentos pela população, por meio de uma redução na tributação dos mesmos, afim de diminuir os problemas de segurança alimentar, sobretudo na camada mais baixa. Aliado a isso, a Mídia deve, por meio de campanhas televisivas, conscientizar a população com respeito ao desperdício de alimento no país, visando diminuí-lo. Somente assim essa problemática poderá ser resolvida, garantindo a toda população o acesso a um bom “medicamento”.