Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 13/08/2021

No filme “O Poço”, prisioneiros são confinados em uma torre vertical e apenas podem se alimentar dos restos de refeições do nível de cima. Embora seja uma obra ficcional, o filme apresenta características similares ao atual contexto brasileiro, uma vez que há um cenário de extrema fome e desigualdade social. Essa problemática se deve não só à Revolução Verde, mas também à má distribuição de renda.

Em primeira análise, com a Revolução Verde foi possível realizar melhorias na produção agrícola e, por consequência, aumentar a produção de alimentos. Porém, a superprodução alimentícia é distribuída de forma desproporcional e ineficaz para erradicar a fome no mundo. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 25% dos alimentos produzidos anualmente são desperdiçados e também suficiente para alimentar dois bilhões de pessoas. Assim, é perceptível que a Revolução Verde é essencial para reduzir os casos de subnutrição, mas é preciso conscientização para torná-la eficaz.

Ademais, a sociedade verde-amarela tem presente, desde o processo de colonização do país, diversas formas de desigualdade e indivíduos com menor poder aquisitivo são excluídos. De maneira análoga, o livro “Capitães da Areia”, escrito pelo modernista Jorge Amado, retrata o cotidiano de um grupo de menores abandonados que vivem nas ruas e roubam para conseguir alimentos. Sob esse viés, a ausência de condições dignas de vida impede indivíduos de obter oportunidades e estão suscetíveis à prática de atos criminosos.

Logo, é necessário que a FAO, em parceria com a mídia, promovam campanhas que incentivem a população a evitar o desperdício de mantimentos, por meio de cartilhas com dicas de como ter um consumo consciente, a fim de reduzir o índice de fome e desperdício. Além disso, o Ministério da Cidadania deve realizar programas que auxiliam na profissionalização e inserção no mercado de trabalho - com a realização de cursos - com intuito de que cidadãos tenham acesso à melhores condições de vida.