Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 10/08/2021

Na obra naturalista “O Cortiço”, Aluísio Azevedo retratou a realidade habtacional degradante e a situação de extrema pobreza em que viviam os inquilinos do personagem João Romão, oferecendo um panorama da realidade presenciada pelas camadas mais baixas da sociedade do Brasil no final do século XIX. Pouco mais de um século depois da primeira publicação da obra, o cenário atual das classes baixas brasileiras ainda se assemelha com o descrito pelo naturalista. Sobre determinado viés, busca-se entender as causas e consequências do grande número de pessoas em situação de insegurança alimentar e da alarmada desigualdade social no Brasil, para enfim propor uma medida plausível para o enfrentamento de tais problemas.

Em primeira instância, é preciso compreender que a desigualdade social é uma característica da organização socioeconômica capitalista. Tal afirmação é base para as teses do intelectual Karl Marx, quem afirma que a desigualdade social é um reflexo do modo de produção capitalista, que visa o lucro, o acúmulo de capital e a exploração do trabalho. À luz dessa ideia, aqueles que não possuem capital de investimento ou não detém meios de produção, não obtém lucros e portanto não possuem qualidade de vida e nem condições de desenvolvimento semelhante àqueles que detém desses poderes, o que gera desigualdade social e, consequentemente, a fome, entre diversos outros problemas.

Paralelo a isso, a distribuição de renta também atua de forma desigual no país, o que contribui ainda mais para inflamar casos de fome e miséria em território nacional. Um fator que contribui para a manutenção da fome no Brasil é a concentração de grandes extenções de terra nas mãos de poucas pessoas. Dessa forma os grandes produtores rurais detém um poder monetário vezes maior, e consequentemente, condições de vida melhores daqueles que não possuem terras para o plantio de subsistência e nem para o arrecardamento de lucros pelo comércio de gêneros agrícolas. Dessa forma, a aquisição de alimento depende do dinheiro, pois quem não possui meios de produzir precisa comprar determinados produtos. Esse fato explicita as relações de subordinação em uma sociedade desigual.

Em suma, a desigualdade social e a fome são naturalmente conferidos no Brasil, que é um país de caráter capitalista e com grande desenvolvimento no setor primário de produção, porém que favorece grandes latifundiários e deixa parte da população em situação de extrema miséria. Como forma de inversão dessa realidade, propõe-se uma reforma agrária no país, responsabilizando o ministério da economia junto aos demias poderes executivos pela aplicação e manutenção de tal, redistribuindo as terras entre as famílias e priorizando as camadas mais baixas da sociedade,  sendo esse o primeiro passo para construir uma sociedade mais justa e igual, com boa qualidade de vida para todos cidadãos.