Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 11/08/2021
No capítulo de mudança, do livro Vidas Secas de Graciliano Ramos, o personagem Fabiano matou seu papagaio de estimação como alimento para ele e sua família, retratando a insegurança alimentar dessas pessoas. Infelizmente, fora dos romances, essas cenas são comuns no Brasil e em outras partes do mundo. Nessa perspectiva, fome e desigualdade social coexistem no século XXI, e vale a pena analisar suas causas e consequências.
Em uma primeira análise, por meio da Revolução Verde, as práticas e tecnologias das fábricas industriais podem ser colocadas no meio rural, aumentando a produção de alimentos. Porém, a superprodução de alimentos não é suficiente para eliminar a fome no mundo, pois o problema está concentrado em sua distribuição desigual. Além disso, é importante destacar que os países desenvolvidos e os grandes centros urbanos possuem mais deste produto, enquanto as áreas rurais e os países menos desenvolvidos requerem uma grande quantidade deste produto.
De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, que é responsável por questões de alimentação e agricultura, um quarto do desperdício poderá alimentar os famintos, e ainda haverá sobra de alimentos. Portanto, é claro que a revolução verde é necessária, mas ainda existem obstáculos para amenizar esse problema. Portanto, fome e pobreza estão relacionadas porque uma pode ser a causa da outra. No filme espanhol “The Well”, os prisioneiros são trancados em uma torre e só podem comer os restos de comida da camada superior. No filme, é possível perceber os problemas de distribuição acima e a relação com a desigualdade social, pois cada nível é uma classe social, e os níveis mais baixos são aqueles que recebem menos alimentos, o que cria uma hierarquia e distinção simbólica. Como as distopias externas, a promoção social é abandonada e essa situação é transmitida de geração em geração.
Portanto, fica claro que a fome e a desigualdade social no século 21 não são apenas uma questão de saúde pública, mas também econômica e social. Portanto, o governo tem a responsabilidade de atualizar programas que contribuam para a distribuição de renda e alimentação, como o Bolsa Família e o Fome Zero, para que mais pessoas tenham boas oportunidades futuras, como melhores empregos, aumento de renda e melhores condições de vida. Além disso, é necessário que a mídia trabalhe com as ONGs para promover um movimento que incentive as pessoas a repensar o desperdício e a distribuição de alimentos. Dessa forma, o Brasil poderá amenizar o impacto desse problema, e cenas como Fabiano em Vidas Secas não sairão do romance.