Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 13/08/2021
Na obra cinematográfica “O menino que descobriu o vento”, conta a história de William Kamkwamba, um menino que cresce em meio a pobreza e falta de recursos materiais básicos. Porém, devido às alterações ambientais decorrentes das intervenções humanas no meio ambiente, e à corrupção governamental, a sua região começa a passar por uma grande seca, acarretando na falta de alimentos, no desemprego, e consequentemente a fome disparando o número de mortos provenientes dela. Fora da ficção, esse é um cenário que, infelizmente, é frequente tanto no Brasil quanto no resto do mundo. Nessa perspectiva, observa-se que a fome e a desigualdade social caminham lado a lado no século XXI e vale analisar as suas causas e consequências.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar que a desigualdade social é um dos grandes motivadores da fome no país. Nesse sentido, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 25,4% da população vive na linha de pobreza, e o maior índice se dá na região Nordeste, onde 43,5% da população se enquadra nessa situação. Em todos os casos, a pobreza tem maior incidência nos domicílios no interior do que nas capitais, o que mostra não só os problemas climáticos que acometem a região, como a seca que ameaça a agricultura, mas também o descaso com a população nordestina com a falta de planejamento de recursos emergenciais.
Ademais, é fundamental apontar a má distribuição de alimentos pelas regiões como impulsionador do problema no Brasil. De acordo com estudos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação , no Brasil, quarto maior produtor mundial de alimentos, metade do estoque se perde na distribuição de transporte, devido a embalagens impróprias que causam danos aos alimentos, e 30% nas centrais de abastecimento e comercialização. Somando a isso, as casas brasileiras são responsáveis por desperdiçar 41 mil toneladas de alimento por ano, de acordo com a entidade internacional World Resources Institute. Diante de tal exposto é notório que não é só um problema econômico, mas também sociocultural, na qual o que se come passou a ser mais um bem de consumo do que uma necessidade. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Em suma, é preciso que o estado tome providências para superar o impasse, a fome e a desigualdade social. Urge, portanto, que o Poder Público promova programas que auxiliam na distribuição de renda e alimentos, para que mais pessoas tenham acesso a boas oportunidades futuras, como melhores empregos, aumento da renda e melhores condições de vida. Além disso, é necessário que a mídia promovam campanhas que incentivam a população a repensar nos desperdícios alimentares e na distribuição de alimentos.