Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 12/08/2021

A miséria é uma produção humana e um desafio ético, dizia o sociólogo Herbert de Souza, na Assembleia da ONU em 1994. Com essa afirmação nota-se que a fome foi construída historicamente, e sua origem esteve ligada à posse da terra que, por mecanismo legal promoveu a concentração fundiária, fortalecimento de uma elite oligárquica e uma massa de trabalhadores livres abandonados. No século XXI, com o desenvolvimento técnico-agrícola e integração mundial do comércio muitos países apresentam um grande excesso na disponibilidade de comida, contudo a isso, boa parte do território Africano tem altos índices de pobreza e fome evidenciando a desigualdade social presente.

Na obra “O Quinze” de Raquel Queiroz, aborda a miséria e a fome que a população nordestina enfrentou em 1915. Entretanto, mais de um século depois os casos de óbitos por desnutrição se encontram preocupante. No Brasil de acordo com dados do Datasus, entre 2008 e 2017, o Brasil registrou 63.712 óbitos por complicações decorrentes da desnutrição. Com o crescimento econômico insuficiente para acabar com a pobreza no Brasil, devido à concentração de renda, faz com que se perpetue a desigualdade social, que muitas vezes tem como consequência a fome e a miséria para a população mais carente.

Segundo dados da ONG Ação Agrária Alemã de 2014, os países mais afetados por mazelas sociais estão localizados no Continente Africano. Entretanto, é surpreendente constatar que grande parte dos produtos agrícolas que alimentam as nações desenvolvidas são produzidos por países da África, onde a fome e a miséria atinge proporções alarmantes. Nesse contexto, os indivíduos economicamente carentes são distanciados do direito ao acesso à alimentação de qualidade, haja vista o alto preço dos alimentos, ocasionado pela crescente exportação que diminui a oferta nacional e, de forma consequencial eleva o valor dos produtos alimentícios.

Portanto, é evidente a necessidade que o Ministério da Cidadania em parceria com o Governo devem repensar projetos sociais a curto prazo, reformulando antigas iniciativas, como o Fome Zero e o Bolsa Família, além de, a longo prazo pensar em outras maneiras de distribuição de renda para a melhoria na qualidade de vida dos brasileiros que se encontram em situação de carência. Quanto à sociedade, cabe a solidariedade, principalmente por meio de campanhas de doações, palestras, em parceria com a mídia, nas redes sociais e com as inúmeras ONGs espalhadas pelo mundo, afim de conscientizar a população dos problemas existentes na atualidade.