Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 11/08/2021
No filme “Tempos Modernos” de Charlie Chaplin, o protagonista encontra, em meio ao contexto de fábricas buscando intensamente o lucro, uma menina órfã faminta que não tem moradia. Fora do cinema, entretanto, a realidade não é muito diferente. Segundo a OMS, cerca de 30% das mortes diárias estão associadas com a fome e pobreza extrema. Nesse sentido, nota-se que há uma combinação de fatores os quais contribuem para transposição da ficção para a realidade.
Um fator importante nessa temática, são as consequências que a privação alimentar continuada acarreta aos indivíduos. Nesse viés, conforme o jornal eletrônico Politize, a fome gera prejuízos físicos e mentais, os quais prejudicam a cognição, a prática laboral e acarretam o surgimento de diversas doenças. Por conseguinte, as pessoas submetidas costumeiramente à fome, dificilmente conseguem ascender socialmente, já que todo seu desenvolvimento físico e intelectual é afetado, propiciando que essa condição perpetue por toda a vida. Ademais, o aumento da violência nos centros urbanos e rurais, também pode ser um dos reflexos da problemática, já que, muitas vezes, para saciar a fome da família, a única alternativa viável para a aquisição de alimentos é através da realização de pequenos furtos.
Ademais, salienta-se a discrepância das classes sociais no âmbito coletivo. Nesse viés, a filosofa Hannah Arendt, com o conceito “a banalidade do mal”, afirma que o pior mal é aquele visto como algo cotidiano, corriqueiro. Haja vista que o aumento da desigualdade é visto como algo banal, porém, representa uma grande desfavorecimento para elaboração de uma sociedade equitativa. No qual, consoante a ONG britânica Oxfam, apenas 1% da população acumula mais riquezas que os 99% restante, que evidencia a desproporção do meio atual.
Depreende-se, portanto, que para o fim dessa problemática, é necessário um novo modelo de desenvolvimento. Assim, cabe ao Estado, por meio do Poder Legislativo, políticas de promoção da segurança alimentar, como parte de um projeto alternativo de desenvolvimento que tenha o objetivo de uma reforma agrária, além de reformular antigas iniciativas, como o Fome Zero e o Bolsa Família. Em adição, a sociedade pode contribuir por meio de campanhas de doações para o fim desse problema que, ainda no século XXI, mata pessoas diariamente.