Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 13/08/2021
No livro, Quarto de Despejo, é retratado o cotidiano de Carolina Maria de Jesus como catadora de lixo. A narrativa revela o constante esforço contínuo para manter a família de pé vivendo do mínimo. Fora da ficção, fica claro que a realidade apresentada no livro pode ser relacionada àquela do século XXI, a fome e a desigualdade no Brasil e no mundo.
Em primeiro lugar, é importante destacar que há uma relação causal entre a fome e a desigualdade que é representada pela alta concentração de renda e riqueza. O Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo e exporta seus produtos para vários países. Grande parte dessa produção é transformada em ração animal, mas os brasileiros sofrem com a desigualdade na distribuição de alimentos e a fome de forma cruel. Segundo a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional, são 19 milhões de brasileiros em situação de fome em 2020. O alastramento da fome no Brasil é reflexo também do fim ou esvaziamento de programas voltados para estimular a agricultura familiar e combater a fome.
Ademais, a fome persiste em outras partes do mundo. Em nações, países africanos, por exemplo, afetadas por conflitos, extremos climáticos ou outras recessões econômicas, ou lutando contra a alta desigualdade, são os que menos evoluem no combate a fome. Com a situação atual do covid-19 a fome disparou em termos absolutos e proporcionais, ultrapassando o crescimento populacional. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a infância, UNICEF, estima-se que, em 2020, cerca de 9,9% de todas as pessoas tenham sido afetadas no ano passado, ante 8,4% em 2019.
Fica claro, portanto, que a fome e a desigualdade no século XXI é um problema não só de saúde pública, mas também econômico e social. Logo, cabe ao Poder Público renovar programas que auxiliam na distribuição de renda e alimentos, como o Bolsa Família e Fome Zero, para que mais pessoas tenham acesso a boas oportunidades futuras. Além disso, é necessário que a mídia, junto a ONG’s, promovam campanhas que incentivam a população a repensar nos desperdícios alimentares e na distribuição de alimentos. Outrossim, é imprescindível a ação da Organização das Nações Unidas (ONU) em relação aos países subdesenvolvidos, como na economia e promovendo a paz naqueles que ainda são marcados por conflitos.