Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 13/08/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pelas Nações Unidas em 1948, visa garantir o respeito pela dignidade humana. No entanto, como defendeu o geógrafo Milton Santos, o fenômeno da globalização é a causa do agravamento do supercapitalismo e, portanto, do aumento da fome e da pobreza mundial, tornando a Declaração uma utopia para muitos. Sob essa conjectura, no contexto atual do século XXI, é possível afirmar o impacto da concentração de renda desse sistema econômico sobre a desnutrição. Portanto, é necessário modificar esse cenário a fim de tornar efetivos os direitos sociais constitucionais e desconstruir a cultura da negligência diante dessa realidade global.
Em primeiro lugar, é preciso apontar como esse problema social se enraizou na história do Brasil. Como analisou o filósofo alemão Friedrich Hegel, a história é dinâmica e a verdade é acompanhada por ela. Ao estabelecer uma relação entre esse tipo de pensamento e o contexto brasileiro, as diferenças entre eles podem ser confirmadas, pois embora séculos tenham se passado desde o estabelecimento das capitanias hereditárias na colônia brasileira, a realidade da concentração fundiária ainda existe - retratada nas grandes parcelas de terras de latifundiários que não cumprem a sua função social. Nessa assimetria social, não só aumenta a fome pela impossibilidade de muitas pessoas entrarem nesses espaços, mas também viola o direito à alimentação e à saúde previsto na Carta Magna.
Além disso, a posição do país e da sociedade sobre a desnutrição crônica do país deve ser enfatizada. No âmbito governamental, devido à grande influência do partido rural no Congresso Nacional, verifica-se que a implementação da reforma agrária - a qual está presente na Lei Maior. Do ponto de vista social, o estigma do individualismo é confirmado pela natureza transitória das relações interpessoais - como Zygmunt Bowman hipotetizou - fazendo com que o problema seja naturalizado por indivíduos, o que leva a uma série de dificuldades -seja no trabalho das ONGs (organizações não governamentais) ou na construção de uma mentalidade mais unida e altruísta.
Portanto, torna-se imprescindível reverter esse problema social. Para tanto, o Ministério da Justiça deve formar aliança com a FUNAI para realizar a reforma agrária no país, reassentar famílias pobres, proporcionar segurança econômica e condições de moradia. Além disso, as unidades de ensino devem adotar o modelo de “escola cidadã” proposto por Paulo Freire, realizar debates nas aulas de sociologia e dar palestras sobre essa adversidade global e permitir que as gerações futuras participem da solução do problema. Além disso, deve-se fazer investimentos monetários em educação para eliminar o analfabetismo e qualificar os cidadãos para o ingresso no mercado de trabalho. Dessa forma, a Declaração de 1948 será uma realidade.