Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 12/08/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com fome e desiguldade social, torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela má distribuição de alimentos, seja pela relação entre fome e pobreza, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Em primeira análise, com a Revolução Verde foi possível colocar as práticas e técnicas das fábricas industriais no meio rural e, assim, aumentar a produção alimentícia. Entretanto, a superprodução de alimentos não foi o suficiente para erradicar a fome no mundo, visto que o problema se concentra na má distribuição deles. Ademais, destaca-se que os países desenvolvidos e os grandes centros urbanos detêm uma maior quantidade dessa produção ao contrário das áreas rurais e países subdesenvolvidos, o que acarreta um grande desperdício de alimentos.Segundo a FAO[3], organização da ONU[4] que trabalha a questão da alimentação e agricultura, ¼ do que é desperdiçado conseguiria alimentar[5] a população que passa fome e ainda sobraria alimento. Assim, percebe-se que a Revolução Verde foi necessária, mas ainda há entraves para mitigar essa problemática.
Ademais, a fome e a pobreza se relacionam, pois uma pode ser a causa da outra. No filme espanhol “O Poço”, prisioneiros são confinados em uma torre e só podem se alimentar dos restos de comida do nível acima. É possível perceber no filme a questão da distribuição supracitada e a relação com a desigualdade social, visto que cada nível é uma classe social e os níveis mais baixos são os que recebem menos alimentos, gerando hierarquias e distinção simbólica. Assim como fora da distopia, a ascensão social é descartada e esse cenário é passado de geração em geração.
Portanto, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. Nesse viés, o Poder Público deve renovar programas que auxiliam na distribuição de renda e alimentos, como o Bolsa Família e Fome Zero, para que mais pessoas tenham acesso a boas oportunidades futuras, como melhores empregos, aumento da renda e melhores condições de vida. Além disso, é necessário que a mídia, junto a ONGS, promover campanhas que incentivam a população a repensar nos desperdícios alimentares e na distribuição de alimentos. Assim, a realidade descrita por Policarpo Quaresma, finalmente, acontecerá, de fato, no Brasil.