Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 14/08/2021

No filme espanhol “O poço”, é possível perceber que a fome e a desigualdade social andam de modo conjunto, já que cada nível dessa prisão vertical reflete uma classe social, e quanto mais embaixo dessa hierarquia, menores são as quantidades de alimentos ofertados. Saindo do mundo distópico, outros países, principalmente o Brasil, não vivem de forma diferente, visto que a fome e a desigualdade social são cenários frequentes na sociedade, sendo instigados pela alta taxa de desemprego. Logo, é necessário analisar a causa desse impasse, bem como ações para atenuar essa questão.

É imperioso ressaltar que as alterações universais no âmbito do trabalho, feitas pela pandemia do novo coronavírus, impulsionaram ainda mais o índice de desemprego e acentuaram gradativamente a subnutrição e disparidade social na população brasileira. Segundo o estudo, realizado no segundo semestre de 2020, pelo grupo de pesquisa Alimento para Justiça: Poder, Política e Desigualdades Alimentares na Bioeconomia, 59,3% dos brasileiros sofreram com insegurança alimentar durante a pandemia. Isso pode ser explicado pelo fato de que muitas empresas foram a falência, como consequência, os funcionários, que necessitavam de estarem empregados para se sustentar, saíram prejudicados. À vista disso, é notório que a falta de oportunidade de trabalho e a fome se relacionam de modo a evidenciar e ampliar a barreira da desigualdade entre as classes, haja vista que conforme a estimativa feita pelo Banco Mundial em 2020, cerca de 5,4 milhões de brasileiros atingiriam a extrema pobreza, chegando a um máximo de 14,7 milhões de pessoas até o fim de 2020. Destarte, o grande número de desempregados abriu espaço para que a pobreza aumentasse novamente.

Infere-se, portanto, que esse dilema atrapalha a melhoria no combate a fome e a desigualdade social no século XXI. Para tanto, a Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (Senarc), deve, por meio de impostos ou parcerias com setores públicos, aperfeiçoar e criar mais programas que apoiam a luta contra a subalimentação e discrepância social, como o Bolsa Família, a fim de que o povo necessitado possa receber ajuda e, junto com ela, boas condições de vida e melhores ofertas de emprego. Só com essas medidas que o Brasil tornará a distopia do filme “O poço” menos comum em sua realidade.