Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 13/08/2021
Conforme defendeu o geógrafo Milton Santos, o fenômeno da globalização foi responsável por acentuar o hipercapitalismo e, consequentemente, a fome e a pobreza no mundo. Sob essa conjectura, é factível afirmar a concentração da concentração de renda desse sistema econômico na problemática da subnutrição no contexto atual do século XXI. Logo, é preciso modificar este cenário - seja para tornarem-se exequíveis os direitos sociais conformidade pela Constituição, seja para desconstruir a cultura da negligência diante dessa realidade mundial.
Em primeiro lugar, é necessário pontuar como essa questão social se enraizou historicamente no Brasil. Como analisou o filósofo alemão Friedrich Hegel, a história é dinâmica e as verdades a acompanham. Ao estabelecer uma relação entre esse pensamento e o contexto brasileiro, pode-se confirmar uma inconformidade entre ambos, pois, por mais que se passaram desde a criação das capitanias hereditárias no Brasil Colônia, a realidade da concentração fundiária ainda se faz presente - retratada nas grandes parcelas de terras dos latifundiários sem cumprir uma função social. Nesta circunstância de assimetria da sociedade, configuram-se não só a acentuação da fome por muitos, não terem acesso a esses espaços, como também uma violabilidade dos direitos à alimentação e à saúde resultado pela Carta Magna.
Ademais, deve-se destacar o posicionamento do Estado e da sociedade diante da perpetuação da subnutrição no país. Em nível governamental, é vista uma morosidade para a realização da Reforma Agrária - a qual está presente na Lei Maior -, alavancada pela grande influência da bancada ruralista no Congresso Nacional. No viés social, os estigmas de individualism corroborados pelo caráter efêmero das relações interpessoais - como presumiu Zygmunt Bauman -, acarretam uma naturalização dessa problemática pelos, o que ocasiona uma cadeia de dificuldades - seja no trabalho das Organizações Não Governamentais (ONG’s) frente a esse quadro, seja na construção de mentalidades mais solidárias e altruístas no território nacional.
Tornam-se prementes, portanto, mediações para reverter essa questão social. Para tal fim, o Ministério da Justiça, aliado à FUNAI, deve efetivar a Reforma Agrária no país, assentando famílias necessitadas nos locais, dando resguardo financeiro e condições para a habitação, e registrando no cartório, para minimizar a concentração fundiária e a fome.