Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 13/08/2021
O Artigo 3° da Constituição Federal de 1988 reconhece como fundamental reduzir a desigualdade social e erradicar a pobreza, enquanto o Artigo 6° garante a todos os brasileiros o direito à alimentação. Entretanto, a fome e desigualdade social presentes no país evidenciam o fracasso em reverberar esses benefícios no século XXI. Sendo assim, vê-se imprescindível a discussão acerca dos fatores que continuam a favorecer esse cenário, procurando conseguir alcançar uma sociedade mais justa e igualitária.
Deve-se salientar, primordialmente, a instabilidade econômica como um principal impulsionador da fome no Brasil. Com o aumento no preço dos alimentos, a redução na renda dos brasileiros, e a crescente taxa de desemprego, situações constantes no país, inúmeras famílias não têm condições para comprar o próprio alimento. Elisabetta Recine, ex-presidenta do Consea (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) diz que, “A fome é produto de um momento agudo, que é expressão de uma situação crônica no país”. Não é errado pensar na pandemia do vírus Covid-19 como um propulsor desse quadro, porém é uma interpretação reducionista, ao analisar que a fome e a desigualdade sempre foram problemas notórios na sociedade brasileira durante todo o século XXI.
Além disso, vê-se também necessário citar a ausência de medidas governamentais para combater a fome e a desigualdade no país. O que acaba culminando, por exemplo, nos 19 milhões de brasileiros em situação de fome no ano de 2020, dados levantados pela Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional). Essa conjunção contraria o “Contrato Social” proposto pelo filósofo inglês John Locke, já que o Estado não cumpre a função de garantir que todos possam desfrutar da alimentação e plena igualdade social, lamentavelmente desfalcadas no Brasil. Assim, é inadimissível que o cenário sórdido de fome e miséria imposto ao povo brasileiro continue a perdurar.
Ao coligir esses obstáculos, concluí-se a necessidade de combatê-los. Para isso é interessante que ONGs realizem campanhas que informem a respeito da eminente desigualdade e o problema da fome que o povo brasileiro lida diariamente, e é imprescindível que essas informações circulem nas mídias, jornais digitais, televisão, e redes sociais, por exemplo, influenciando cada cidadão a repensar seus hábitos e disperdícios, afim de que se solidarizem para com a grande parcela da população que precisa de ajuda. Mas, não é possível ocorrer mudança se realizada apenas de forma individual, por isso, é necessário que o Poder Público seja responsável por renovar e otimizar programas como o Bolsa Família, que contribuem para a distribuição de renda e alimento, assim, a nação pode se encontrar mais proxima do modelo de Locke e do bem-estar e dignidade social.