Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 14/08/2021

No livro “Vidas Secas”, do escritor brasileiro Graciliano Ramos, o personagem Fabiano mata o seu papagaio de estimação para servir de alimento a ele e à sua família, o que denuncia as precárias condições de vida do seu povo. Fora da literatura, tal romance revela-se como uma crítica a um grave cenário do aspecto socioeconômico brasileiro. Dessa forma, faz-se necessário discutir a questão da fome e da desigualdade social no século XXI, sendo essa problemática agravada pela construção histórica do país e pela ineficácia das esferas estatais em garantir programas de auxílio social. Tal fato reflete uma realidade complexa no que diz respeito aos seus efeitos sobre a população nacional.

A priori, consoante o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, a interpretação da realidade coletiva ocorre somente por meio do entendimento das forças que estruturaram o corpo social. Posto isso, para entender a relação entre a desigualdade social e a fome no país, é imprescindível analisar o desenvolvimento histórico do país. Sob esse viés, o desenvolvimento das favelas, no findar do século XIX, denunciou uma delicada realidade nacional tomada pela alta concentração de renda nas mãos de uma minoria social. Destarte, submetidos à desigualdade, os moradores das regiões periféricas passaram a conviver com a escassez alimentar e a com a subnutrição, o que constitui um cenário profundamente preocupante.

Outrossim, de acordo com a Teoria do Pacto Social, do filósofo francês Jacques Rousseau, os indivíduos confiam suas necessidades ao Estado, que deveria, em contrapartida, cumprir com seus deveres. Entretanto, tal conceito encontra-se deturpado na sociedade brasileira moderna, uma vez que o poder público mostra-se falho na responsabilidade de garantir programas sociais que auxiliem de forma eficaz os indivíduos de baixa renda. Assim, afetados pelo contraste social supracitado e pela falta de ajuda estatal, os indivíduos sofrem com condições insalubres de vida e com a distribuição precária de alimentos. Portanto, a ineficiência governamental é um empecilho para a mitigação desse problema.

Diante do exposto, para resolver a questão da fome e da desigualdade social no século atual, medidas devem ser tomadas. Para isso, cabe ao Ministério da Cidadania, responsável pela execução de políticas públicas voltadas para a promoção do bem-estar social, criar, por meio da utilização de verbas públicas, o Plano Nacional Alimentar, o qual consistirá no maior investimento em programas que auxiliem na distribuição de renda e alimentos, como o Bolsa Família e o Fome Zero, por exemplo. Sendo assim, tais medidas teriam por finalidade facilitar o acesso dos indivíduos às refeições adequadas e melhorar a sua qualidade de vida, o que reduziria, consequentemente, a subnutrição. Somente assim será possível construir um futuro melhor e a realidade distanciar-se-á do enredo descrito por Graciliano Ramos.