Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 31/08/2021

“Analisando essa cadeia hereditária, quero me livrar dessa situação precária, onde o rico cada vez fica mais rico, e o pobre cada vez fica mais pobre”. Diante desse trecho da música “Xibom Bombom”, da banda “As Meninas”, evidencia-se um sistema econômico extremamente desigual — que é a realidade de muitas países. Nesse sentido, em razão de um modelo capitalista tóxico e de uma educação deficitária, emergem dois graves problemas: a fome e a desigualdade social no século XXI.

Diante desse cenário, vale destacar que a lógica de acumulação de bens é algo que, indiretamente, traz sérios malefícios à vida de muitas pessoas. Sob esse ângulo, consoante a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano. Sendo assim, ao se analisar o modelo econômico vigente na maior parte do globo, nota-se que a concentração de riquezas em uma pequena parcela do povo é algo comum, mas que precisa ser combatido urgentemente, já que, segundo um estudo da Organização das Nações Unidas, 75% da população mundial tem somente acesso à 5,5% das riquezas mundiais. À vista disso, a fome — que ainda assola inúmeros países — é uma consequência direta desse modelo, uma vez que poucos têm muito e muitos têm pouco. Assim, é de suma importância a atuação de todos para combater um dos principais empecilhos denunciados por Arendt: a banalidade do mal.

Nesse contexto, é importante salientar que a baixa qualidade da educação é outro fator que corrobora esse panorama mundial. Nesse viés, conforme Immanuel Kant, o homem tem seu intelecto formado de acordo com o que lhe é ensinado. Sob essa lógica, se há um obstáculo social, há uma lacuna educacional. Diante disso, no que tange aos altos índices de pobreza, percebe-se que a escola não cumpre o seu papel no sentido de prevenir e reverter os impasses coletivos, como a falta de gestão de renda, uma vez que ela não traz matérias financeiras nas salas de aula, o que, com um capitalismo tóxico, consequentemente, vários indivíduos não ascendem financeiramente. Logo, um possível caminho para exterminar a miséria é usar o raciocínio de Kant: garantir educação de qualidade a todos.

Infere-se, portanto, que a ONU, por meio de ONGs, por exemplo, a “Médicos Sem Fronteiras”, leve cada vez mais profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros e nutricionistas, aos lugares mais afetados pelas doenças e disfunções nutricionais, a fim de ajudar aqueles que não têm o básico para sobreviver. Por sua vez, o Ministério da Educação — regulador das práticas educacionais do país — precisa combater a alienação acerca da toxicidade do capitalismo, por intermédio da adoção de uma educação monetária na grade escolar dos alunos, a fim de torná-los mais suscetíveis à ascensão financeira. Dessa forma, espera-se combater a fome e a desigualdade social no século XXI.