Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 15/09/2021
De acordo com Thomas Hobbes, filósofo contratualista, é dever do Estado manter o bem-estar dos cidadãos. Entretanto, na hodiernidade, essa instituição social tem falhado como mantenedora dessa premissa básica, haja vista que a equidade social - essencial à vida - não é uma realidade para diversos indivíduos. Destarte, é fulcral destacar que a omissão estatal é responsável pelas disparidades socioeconômicas e esta, por sua vez, perpetua a insegurança alimentar.
Em primeiro plano, vale salientar que a desigualdade social é gerada, sobretudo, pela má administração pública. A partir de uma análise sobre a relação desproporcional entre a quantidade de Cartas Magnas brasileiras a o número de propostas sociais, evidencia-se que as pautas políticas raramente visavam às melhorias nas condições sociais da população carente, de maneira que esse grupo sempre esteve à margem da política, lidando com a precariedade das escolas gratuitas, com o desemprego e com a escassez de recursos financeiros. Por conseguinte, como reflexo dessa negligência estatal, o abismo entre os estratos foi consolidada como uma situação “natural” , haja vista que, embora o Brasil esteja entre as 10 nações mais díspares do mundo - segundo o Índice de Gini - o Estado não demonstra iniciativa em mitigar essa triste realidade. Dessa maneira, é notório que, enquanto a omissão do Governo for a regra, a equidade social será a exceção.
Ademais, em segundo plano, é lícito analisar que a fome é consequência direta da desigualdade social. Nesse sentido, a Revolução Verde, ocorrida no século XX, tinha o intuito de acabar com a desnutrição mundial. Entretanto, mesmo que a iniciativa fosse honrosa, os resultados desse processo não alcançaram seu objetivo, uma vez que a falta de acesso à alimentação não é limitada pela quantidade de alimentos existentes, mas sim pela falta de recursos financeiros para obtê-la. Sob esse viés, sabe-se que os subnutridos, além da escassez de refeições, são expostos ao risco de morte, tendo em vista que esse quadro pode ocasionar patologias como Marasmo e Kwashiorkor, magreza severa, as quais, se não forem tratadas, são potencialmente fatais.
Portanto, a fim de mitigar esse cenário de disparidades econômicas e de desnutrição, é fundamental que o Ministério do Desenvolvimento Social, em parceria com o Ministério da Economia, amplie o número de famílias beneficiadas pelo “Bola Família”, aumente o valor recebido por elas , por meio do repasse de verbas da União – a partir do corte de gastos supérfluos- como auxílio-terno de deputados. Concomitantemente, o Estado deve oferecer incentivos fiscais aos supermercados, para que reduzam o valor dos produtos aos mais pobres, para que eles alcancem uma mínima segurança alimentar. Assim, o país dará um primeiro passo para garantir o bem-estar de todos.