Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 03/10/2021
O livro “Vidas Secas” narra a história de Fabiano e sua família em meio a seca que assombrava o nordeste no século XX. Na obra, Fabiano e seus familiares vivem na pobreza total e com isso a fome era uma situação recorrente na casa do protagonista. De maneira ánaloga ao romance de Graciliano Ramos, a questão da fome, no Brasil, ainda enfrenta problemas no que diz respeito ao número cada vez mais exorbitante de pessoas em meio a essa problemática realidade. Assim, é lícito afirmar que a postura de negligência do Governo e da sociedade, contribui para a perpetuação desse cenário nocivo. Mormente, nota-se, por parte do Governo, a ausência de políticas públicas efetivas capazes de assegurar o direito, previsto pela Constituição Federal, a alimentação a toda a população. Essa lógica é comprovada pelo papel passivo que o Ministério da Cidadania exerce na administração do país. Criado para garantir a inclusão e assistência social, tal órgão ignora ações que poderiam, potencialmente, erradicar, a fome de milhares de famílias brasileiras. Dessa forma, o Estado atua como perpetuador do processo de exclusão da população mais carente a esse tipo de necessidade básica. Logo, é substancial uma reviravolta desse quadro.
Outrossim, é imperativo pontuar que, a sociedade civil, sobretudo a mais afortunada, contribui para as dificuldades no processo de eliminar a fome do contexto social brasileiro. Isso decorre, principalmente , da postura hierarquizada de parte da população, que visando apenas a própria realidade descartam refeições em bom estado de consumo, em detrimento do impacto socioestrutural que a desnutrição pode causar na realidade do povo brasileiro. Nesse sentido, há, de fato, uma postura elitista advinda de parte da comunidade, que em muitas vezes desperdiçam toneladas de alimentos todos os anos. Consequentemente, a população de baixa renda fica impedida de ter acesso ao sustento diário.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para facilitar a ingressão da parecela mais pobre da comunidade aos meios de nutrição básica. Posto isso, o Estado deve por meio de um amplo debate com a população civil, ONG´s e empresas do setor alimentício, desenvolver um novo Plano Nacional de Introdução Alimentar para Famílias Carentes, a fim de fazer com que o maior número de cidadãos brasileiros possam ter acesso a alimentação. Tal plano deverá focar em distribuir certo percentual de alimentos para pessoas de baixa renda. Ademais, a sociedade deve, mediante incentivos e propagandas do governo, diminuir o desperdicio alimenticío diário. Dessa forma, a situação vivênciada na obra “Vidas Secas” poderá ser cada vez menos vizualizada na realidade do povo brasileiro.