Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 06/10/2021
A questão da desigualdade social e da fome no Brasil contemporâneo é abordada no filme “Trash - A Esperança Vem do Lixo”. Na obra, são retratadas duas realidades distintas: a de três meninos negros, que vivem no lixão, e a de um político branco rico. Fora da ficção, os artigos 5° e 6° da Constituição federal garantem a igualdade e as necessidades básicas dos brasileiros, como a alimentação e a moradia. Entretanto, assim como no filme, observa-se o desrespeito a essas garantias, devido às heranças históricas e à negligência estatal.
Convém ressaltar, a princípio, que, entre as causas da desigualdade social no Brasil, está a construção histórica do país. Isso porque os negros e indígenas foram escravizados e perseguidos por 388 anos. Nesse sentido, os descendentes da população explorada enfrentam um atraso de quase 400 anos no âmbito social e econômico. Sob essa ótica, a pobreza e a fome que atingem, majoritariamente, os brasileiros pretos e pardos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, advêm da exploração dos negros e dos nativos em prol do enriquecimento do homem branco,como é retratado no filme “Trash - A Esperança Vem do Lixo” pela cor da pele dos meninos e do político.
Ademais, vale salientar que a influência histórica se perpetua devido ao descaso governamental. De acordo com a filósofa Hannah Arendt, em sua teoria sobre os Espaços Públicos, as instituições públicas devem ser inclusivas. Nesse viés, o Estado precisa oferecer serviços de qualidade para garantir a inserção igualitária dos brasileiros na sociedade. Contudo, o investimento na educação pública, a qual é primodial para o acesso a empregos, é vítima de cortes anuais. Por conseguinte, aqueles que foram privilegiados pela história brasileira alcançam os melhores salários, pois estudaram em instituições privadas, que oferecem um ensino de maior qualidade. Assim, a desigualdade social e, com isso, a fome continuam caracterizando o contexto nacional, o que vai de encontro com a Magna Carta.
Dessarte, para diminuir a influência histórica no cenário hodierno e mitigar a desigualdade social e a fome no país, urge que o Ministério da Economia e o da Educação criem, por meio de uma proposta de lei, um projeto de priorização da educação e de auxilío aos mais pobres. Em síntese, o projeto deve obrigar o investimento anual de 10% do Produto Interno Bruto na educação, além de oferecer um apoio financeiro para os menos abastados, a fim de combater a fome.