Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 26/10/2021

A obra cinematográfica “O Poço” apresenta a conduta do ser em situação de carência alimentar, animalização do homem onde só o individualismo importa. Fora da Ficção, a obra representa simbolicamente a questão da fome presente no século XXI, já que a falta de alimento para todas as camadas sociais é recorrente. Essa situação degradante tem como origem inegável a negligência do Estado, que não intervém nas questões humanitárias. Assim aprofundam essa vicissitudes não só a mercantilização dos produtos essenciais como também a carência infraestrutural.

Torna-se evidente, dessa forma, que a precificação dos alimentos básicos alicerça o aumento no número de pessoas no mapa da fome. Isso ocorre porque as indústrias alimentícias visam o lucro ao invés da subsistência da comunidade, de modo que as exportações possuem um viés muito mais valorizado. Por conseguinte, o lucro gerado não retorna como investimentos para setores negligenciados como saúde, educação e alimentação sendo aproveitado para geração de mais benefícios e capital para a empresa. Essa reflexão encontra forças no documentário " Histórias da fome no Brasil", o qual relata que a fome é um desrespeito aos direitos fundamentais estando presente por causa de estruturas econômicas defeituosas.

Além disso, observa-se como a falta de infraestrutura colabora com o agravamento da insegurança alimentar para a população de baixa renda. Essa situação surge a partir da ineficiência de programas e políticas públicas que tenham como responsabilidade o fornecimento e acolhimento de pessoas em vulnerabilidade social devido a globalização pervesa e alta nos preços de alimentos necessários. Desse modo, o acesso a alimentação deveria chegar a todos e não somente a classe economicamente favorecida que gera retorno financeiro. Essa análise pode ser confirmada pelo livro “Cidadão de Papel” de Gilbert Dimenstein, uma vez que mostra que os direitos previstos na Constituição Federal estão apenas no papel e não no cotidiano do povo, visto que há um descaso na condução das leis.

Mediante ao exposto, percebe-se como o problema da insegurança alimentar se aprofunda na negligência do Estado. Para combater esses empecilhos, é necessário que o governo federal atue por meio do Plano Nacional de Combate a Fome que a partir do Ministério da Saúde, tenha um acompanhamento em áreas marginalizadas com a finalidade de controlar a nutrição alimentar dos cidadões. Ademais ainda dentro desse plano, o Ministério da Economia deve propor a distribuição cestas básicas e refeições gratuitas oferecendo uma alimentação de qualidade e acessível. A partir dessas medidas, a obra supracitada não mais representara o comportamento marginalizado da sociedade diante da falta de alimento.