Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 15/05/2022

Em uma de suas músicas, o compositor Luiz Gonzaga alude a uma grave problemática social do Brasil, como expressam os versos: “Pobreza por pobreza/ Sou pobre em qualquer lugar/ A fome é a mesma fome/ que vem me desesperar.”. Apesar de escrita no século XX, a canção não envelheceu perante a fome que atormenta o povo brasileiro. Esse cenário resulta de contexto histórico excludente, o qual deixou tristes frutos na contemporaneidade.

Diante dessa conjuntura, cabe analisar a conturbada formação da história brasileira. Tal processo é caracterizado por um sistema elitista e escravocrata de concentração de renda, que beneficiava uma mínima parcela da sociedade às custas da força de trabalho de maioria da população. Nesse sentido, muitas pessoas ficavam em situação de vulnerabilidade alimentar, haja vista a falta de recursos financeiros para arcar com uma alimentação de qualidade. Logo, é indubitável que a fome tem raízes profundas, as quais se perpetuaram ao longo dos séculos no solo do Brasil.

Outrossim, vale discutir os frutos deixados pela história brasileira no século XXI. Tal situação é expressada na permanência das desigualdades sociais no país, o que, segundo o historiador José Murilo de Carvalho, impede a constituição de uma sociedade democrática. Logo, vê-se que a existência da fome no Brasil contemporâneo fere os princípios da Carta Magna, ao passo que sufoca a garantia de um direito básico do cidadão—a alimentação—e impede a excelência da democracia em sua totalidade.

Sob a luz de tais considerações, medidas são necessárias para mitigar os efeitos da fome e da desigualdade social no Brasil do século XXI. Assim, cabe ao Governo Federal, em parceria com o Tribunal de Contas da União, promover políticas públicas de distribuição de renda e assistência social, por meio da concessão de uma renda básica para a população mais vulnerável economicamente. Além disso, é necessário contar com a ação de assistentes sociais para fiscalizar as condições de vulnerabilidade dessa parcela da população, de forma a garantir que o projeto atinja a todos, a fim de garantir cidadania e evitar o desespero da fome no país.