Fome e desigualdade social no século XXI

Enviada em 28/07/2022

O período homérico da Grécia Antiga caracterizou-se pela 2ª diáspora grega, fomentada, principalmente, pelo fortalecimento de um pequeno grupo detentor das terras cultiváveis em detrimento de um expressivo contingente populacional, que, visando suprir requisitos primários na qualidade de vida, como a alimentação, migrou-se para outras regiões da Europa. Congênere ao contexto supracitado, constata-se, hodiernamente, disparidades sociais as quais evidenciam uma camada da sociedade refém da insegurança alimentar, exigência básica para o bem-estar do indivíduo. Nesse sentido, é lídimo afirmar que desigualdade social e fome estão correlacionados e perpetuam-se em decorrência da má distribuição de renda, como também da ausência de programas sociais.

A princípio, é válido ressaltar a má distribuição de renda como um fator inerente à consolidação de classes economicamente distantes, visto que os proventos são direcionados a apenas uma parte da população. Sob esse panorama, observa-se a fome presente na realidade da massa desfavorecida, pois a renda é nula ou insuficiente para garantir comida. Tal fato é comprovado ao analisar-se os dados referentes às regiões mais desiguais do mundo, lançados pelo World Inequality Lab, e a pesquisa sobre a fome, de acordo com a ONU. Em ambas, constata-se a África no topo dos rankings, o que, corrobora o vínculo da má distribuição de renda com desigualdade social e, consequentemente, a fome.

Ademais, convém salientar que a ausência de programas sociais com o intuito de apaziguar tal cenário colabora para sua continuidade. Desse modo, atribui-se ao Estado o dever de elaborar essas ações, pois, segundo o filósofo Friedrich Hegel, o corpo político deve proteger os seus “filhos”, a fim de preservá-los da insegurança alimentar, por exemplo. Entretanto, nota-se o contrário, já que a problemática persiste e só será revertida caso o poder público abandone sua posição omissa.

Portanto, incumbe ao Estado solucionar os entraves que levam a desigualdade e a fome. Para o Poder Legislativo, urge aprovar uma lei que vise a taxação progressiva de multimilionários, para que, em parceria com o Poder Executivo, desenvolva-se uma política de redistribuição de renda àquelas camadas desiguais, a fim de comedir o atual quadro e, assim, evitar uma diáspora contemporânea.