Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 10/09/2022
Na obra literária “O Fim de Tudo”, de Thiago Neiva, é possível perceber que os protagonistas Charlie e Thomas visitam um lixão da cidade com certa frequência para fugir de suas próprias realidades. Em uma dessas idas ao local, os garotos se deparam com uma idosa procurando por restos de comida em sacos de lixo. Tendo em vista esse preocupante cenário, os meninos se comovem e passam a ajudá-la com doações casualmente, até o momento em que a mulher vem a falecer, pois mesmo com a ajuda recebida, os alimentos não são suficientes e ela não resiste.
Assim como pode-se constatar no livro, a fome atinge gradativamente inúmeras pessoas, sendo mais frequente na vida das populações mais pobres. Tal problema tem ligação direta com todas as formas de desigualdade, mas as suas principais dimensões estão relacionadas à renda e riqueza, educação, saúde e política. Sendo, portanto, a desigualdade econômica a que mais compromete o desenvolvimento humano, principalmente devido a concentração de riqueza, que gera a insegurança alimentar. À vista disso, a fome tem relação direta com a má distribuição de renda e riqueza, mas também com a falta de acesso à educação, já que muitas crianças têm pouco ou nenhum acesso à escola, e muitas delas frequentam o ambiente apenas para ter o que comer.
Com base nisso, um relatório da ONU divulgado em julho deste ano aponta que mais de 60 milhões de brasileiros tiveram acesso restrito à comida de 2019 a 2021. O número representa um aumento de cerca de 60% do registrado nos anos de 2014 a 2016, quando 37,5 milhões de brasileiros enfrentavam algum tipo de insegurança alimentar.
Dessa forma, é possível concluir que, para solucionar esse problema que assola notável parcela da população, deve-se acabar com a separação que existe entre as áreas social e econômica, deixando em evidência que políticas de promoção da segurança alimentar devem ser pensadas pelo Governo, a fim de que o alimento possa chegar à todos: projetos sociais a curto prazo e outras maneiras de distribuição de renda a longo prazo. Cabe também à solidariedade da sociedade, principalmente através de campanhas de doações, em parceria com a mídia e com as várias ONGs destinadas a esse fim, espalhadas pelo país.