Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 13/09/2022
No livro vidas secas de Graciliano Ramos, o personagem Fabiano mata o seu papagaio de estimação para alimentar ele e á sua família. Fora da ficção, a fome é um cenário frequente não só no Brasil como também no resto do mundo. A pandemia foi um fator que agravou ainda mais essa situação já que muitas pessoas perderam empregos, e a desigualdade social e a fome andam juntas.
De acordo com a FAO, uma organização da ONU que trabalha a questão de alimentação e agricultura, um mapa que aponta desde 1990 o número global de pessoas subalimentadas, mostrou que o Brasil saiu desse mapa em 2014. Segundo a mesma organização (FAO), em 2006 a taxa de pessoas sub-nutridas em território brasileiro era de 4,1%, em 2020 essa taxa caiu para menos de 2,5%, porém, com a pandemia, o número de pessoas em situação de fome aumentou para aproximadamente 33,1 milhões de brasileiros, 14 milhões a mais que em 2020, a fome aumentou de 10,4% para 18,1% em apenas 2 anos.
Por conseguinte, a fome e a pobreza se relacionam, pois uma é consequência da outra. Esse problema não é exclusivo do Brasil, como exemplo alguns países da áfrica passam por problemas semelhantes, estando entre os 10 países com maior desigualdade social, o Brasil está na 7ª colocação com base no Coeficiente Gini – 53,9. Uma das principais consequências da pobreza é a fome, uma prova disso é o fato de que, em praticamente todos os países, a desnutrição está ligada à baixa renda: no caso de Honduras, por exemplo, ela atinge 42% das crianças de baixa renda, outro exemplo é o fato de que pessoas muito abaixo do peso ideal convivendo com pessoas obesas é algo cada vez mais comum, segundo a ONU, 870 milhões de pessoas no mundo sofrem de desnutrição, enquanto a OMS mostra que 650 milhões de obesos vivem no mundo.
Fica notável, que a fome e a desigualdade é um problema também econômico e social. Logo, cabe ao Poder Público renovar programas que auxiliam na distribuição de renda e alimentos, para que mais pessoas tenham acesso a melhores condições de vida. Em vista disso, Mídias e Ong’s poderiam fazer campanhas mais eficazes para conscientizar a população ao menor desperdício de alimentos, desta forma o cenário de vidas secas seria menos frequente ao redor do mundo.