Fome e desigualdade social no século XXI
Enviada em 10/10/2022
A obra " O bicho" do escritor Manuel bandeira aborda a situação de vulnerabilidade de um homem que procurava e comia tudo o que encontrava no lixo. Fora da obra literária, a situação da fome e da desiqualdade social no Brasil ainda persiste em pleno século XXI. Com base nesse contexto, faz-se necessário entender os principais motivos que contribuem para essa problemática.
Diante desse cenário, é importante destacar que a má distribuição de renda é um dos principais fatores que geram a desigualdade social e a fome no país. Sob esse viés, dados da PNAD mostram que o índice de GINI, instrumento que mede a desigualdade de renda em um país, aumentou durante o período da pandemia. Tal situação piorou a situção de renda no país, pois concentrou recursos para os mais ricos, e retirou poder de compra para os menos abastados, ocasiosando fome e busca por alimentos em caminhões de lixo, em uma reprodução real ao texto de Bandeira.
Além disso, deve-de considerar o fato da perpetuação da pobreza como instrumento de exploração política. A partir dessa perspectiva, é válido considerar o pensamento do economista Celso Furtado, " O subdesenvolvimento é uma estratégia para a manutenção da elite no poder". Sob esse ponto de vista, a manutenção da pobreza é uma pauta de interesse à “elite burguesa”, que usa a máquina pública para gerir seus próprios negócios. Sendo assim, a pobreza é cronificada, enquanto são oferecidas migalhas para mitigar a fome no país.
Logo, sabendo disso, é necessário tomar medidas efetivas para resolver essa situação. Para isso, o Ministério da Economia, órgão responsável pela formulação e execução da política econômica nacional, deve propor ao Poder Legislativo uma ampla reforma tributária no país. Tal ação deve ocorrer por meio da diminuição de impostos em insumos básicos como alimentos e medicamentos, e pela tributação de altas fortunas e dividendos bancários para que se possa ampliar programas sociais, a fim de melhorar a qualidade de vida da população pobre, e promover uma distribuição de renda mais justa, e assim, seria desfeita a metáfora do “bicho” de Manuel Bandeira.